Papel do FMI na crise da Europa pode não ser “visível”

Chistine Lagarde, diretora do fundo, também afirmou que há um risco de uma década perdida na região

São Paulo – A dívida soberana não é o único problema da crise na zona do euro, e se nenhuma solução coletiva e ampla surgir, há o risco de uma década perdida na região, disse nesta sexta-feira a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, em entrevista ao programa de TV Globo News Painel.

Lagarde também afirmou que o FMI está satisfeito em atuar nos bastidores em busca de uma solução para a crise do euro, que precisa ser enfrentada com reformas estruturais e com uma consolidação fiscal.

“Eu estou muito feliz que o FMI esteja no meio disso, mas de forma efetiva, não necessariamente de uma forma visível”, disse Lagarde na gravação do programa em São Paulo.

A visita de Lagarde ao Brasil é a última parte de uma viagem à América Latina em busca de uma maior cooperação global.

Ela disse que o risco de contágio da crise se materializou e pediu que os países do euro encontrem uma solução coletiva e abrangente para seus problemas, para não correr o risco de uma década perdida.

Os líderes europeus estão procurando pôr um fim definitivo à crise de dívida que se espalha e que prejudica o crescimento econômico global, podendo até levar à quebra da união monetária de 17 nações.

A crise destacou o papel das economias emergentes no cenário mundial, mas também pode fazer alguns tomarem medidas protecionistas, ponderou Lagarde.

Ela elogiou a administração econômica e as políticas do Brasil, que, segundo ela, deixaram o país melhor preparado que muitos para lidar com um possível contágio da crise do euro.


O Brasil e outras grandes economias emergentes disseram que estão dispostos a ampliar o poder de fogo do FMI para ajudar a resolver a crise na Europa, que ameaça seu próprio crescimento.

Após o forte crescimento de 2010, a economia do Brasil está desacelerando mais que o previsto, fazendo o governo soltar uma série de medidas para incentivar o consumo e o crédito.

Outros emergentes também devem prosseguir com estímulos para dar suporte às suas economias, que sentem o impacto da queda do crédito e do comércio global.