Papandreou perde maioria absoluta para moção de confiança

O premiê grego convocou para esta quinta-feira uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros

Atenas – O governo do primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, perdeu nesta quinta-feira a maioria absoluta no Parlamento para enfrentar a moção de confiança que será votada nesta sexta, depois de duas deputadas socialistas retiraram apoio a ele.

Diante dessa situação, Papandreou convocou para esta quinta-feira às 8h30 (de Brasília) uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros.

Está previsto ao longo do dia um encontro do partido governista Pasok, em um momento em que cresce dentro da legenda a oposição ao plebiscito convocado por Papandreou para avaliar o plano de resgate à Grécia.

Com uma mensagem no Twitter nesta quinta ao presidente do Parlamento, Philippos Petsalnikos, a deputada Eva Kaili expressou sua rejeição ao plebiscito sobre o plano de resgate proposto por Papandreou e anunciou que não apoiará o Governo na moção.

Outra parlamentar, Elena Panariti, disse que, embora não vá deixar o partido socialista, não vai apoiar o Governo, o que significa que o primeiro-ministro não tem o respaldo necessário para superar a moção. Com estas novas deserções, o partido governista Pasok fica com 150 das 300 cadeiras no Parlamento de Atenas.

Além da reunião extraordinária do Conselho de Ministros, também está previsto para esta quinta-feira um encontro do Pasok. Papandreou havia planejado falar nesta quinta no Parlamento para pedir seu apoio, no segundo dia de debate sobre a moção de confiança.

O aumento da oposição interna teve como detonante a proposta de Papandreou de uma consulta popular sobre o plano de resgate desenhado pela União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que perdoa a Grécia em metade de sua dívida, mas impõe duras políticas de austeridade.


A oposição mais contundente à consulta partiu do próprio ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, que rejeitou a ideia de um plebiscito que possa pôr em questão a permanência da Grécia na zona do euro.

‘O lugar da Grécia dentro do euro é uma conquista histórica que não pode depender de um plebiscito’, avaliou Venizelos ao jornal ‘Ta Nea’.

Recém chegado de Cannes (França), onde se reuniu com líderes europeus do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) e Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Venizelos apostou por ativar o mais rápido possível o programa de resgate à Grécia. O programa aprovado pela zona do euro e o que Papandreou propôs submeter à consulta da população.

‘O próximo passo é colocar em prática antes do fim de ano um programa de apoio que dará à Grécia os 130 bilhões de euros, suficientes para reduzir a dívida pública em 100 bilhões de euros. Completar esse processo é uma meta nacional’, disse o ministro.

Outros membros do governo, como o ministro de Desenvolvimento, Mikhail Khrisokhoidis, além de vários deputados do Pasok, se mostraram contrários à consulta.

Em declarações à televisão pública ‘NET’, Khrisokhoidis manifestou que ‘o importante é retificar no Parlamento o acordo europeu que tira a Grécia do problema’.

No grupo parlamentar socialista surgiram novas vozes contrárias a proposta do primeiro-ministro, que na quarta à noite a partir de Cannes propôs o dia 4 de dezembro para ser feita a consulta.

Segundo o canal ‘Skai’, um grupo de deputados socialistas está reunindo assinaturas para pedir a Papandreou que esqueça o plebiscito e forme um Governo de união nacional.

Em apoio ao premiê, o primeiro vice-ministro de Finanças, Pandelis Ikonomou, considerou que a consulta vai permitir aos gregos dizer ‘se desejam permanecer no euro. O importante é que a decisão será do povo e não o que impõem os líderes estrangeiros’, defendeu.