Papa busca ajuda aos Rohingya na Ásia, à sua maneira

ÀS SETE - Líder católico se encontra com refugiados muçulmanos, os Rohingyas, na capital Daca nesta sexta-feira

O Papa Francisco continua sua viagem pelo sudeste asiático, com uma parada agora em Bangladesh.

No país, a comunidade católica é ainda menor do que em Mianmar, primeiro destino do Papa: somente 0,2% da população são católicos,  aproximadamente 350.000 pessoas.

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Nesta sexta-feira, o Papa tem uma agenda lotada: se encontra com refugiados muçulmanos, os Rohingyas, na capital Daca; realiza uma missa; e também se reúne com a primeira ministra Sheikh Hasina.

O Papa ainda não se referiu nominalmente aos Rohingyas, que são perseguidos em Mianmar pelas forças armadas e já contabilizam mais de 620.000 refugiados em Bangladesh.

Era esperado que Francisco pudesse fazer algum tipo de intervenção pela população, cuja perseguição começou no ano passado e explodiu em agosto, com denúncias de incêndios em vilarejos, execuções e até estupros.

A ONU acusa a perseguição de ser uma limpeza étnica. O governo do país é liderado por Aung San Suu Kyi, que venceu o prêmio Nobel da Paz em 1991, mas hoje acusada de ser complacente com a perseguição em Mianmar.

A Igreja defendeu a postura papal: um porta voz do Vaticano afirmou que embora a diplomacia católica “não seja infalível”, o Papa não perdeu sua autoridade moral por ter se resignado de uma postura mais crítica quando esteve com Mianmar.

Na segunda-feira, Francisco chegou a se encontrar com o general Min Aung Hlaing, comandante maior do exército, que está por trás da perseguição aos Rohingyas.

O Papa não deixou de agradecer à população de Bangladesh pelo apoio dado aos Rohingya, embora não tenha citado seus nomes.

“A sociedade de Bangladesh tem sido representada de maneira vívida em seu alcance humanitário à massiva onda de refugiados vindos do estado de Rakhine [oeste de Mianmar], provendo-os com abrigo temporário e as necessidades básicas de vida. Isso tem sido feito com muito sacrifício”, disse em um discurso.

O papa lembrou também que “não podemos falhar em estar atentos à gravidade da situação” quando há “uma imensa quantidade de sofrimento envolvido”.