Palestina prende dezenas de membros do Hamas na Cisjordânia

Em comunicado, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, condenou estas prisões, classificando-as de "perigosa escalada que bloqueia os esforços e a reconciliação"

Ramallah – As forças de segurança palestinas prenderam uma centena de membros do Hamas na Cisjordânia, segundo um funcionário da segurança palestino, em uma amostra da tensão entre o movimento islamita que controla Gaza e seus rivais de Ramallah.

Os membros do Hamas, detidos na noite de quinta-feira, “tinham a intenção de lançar ataques contra a Autoridade Palestina”, indicou o funcionário palestino que pediu o anonimato, sem fornecer mais detalhes.

Em um comunicado, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, condenou estas prisões, classificando-as de “perigosa escalada que bloqueia os esforços e a reconciliação”.

O porta-voz também criticou a Autoridade Palestina por sua “cooperação em temas de segurança com a ocupação israelense”.

Os acordos de 1993 preveem que a Autoridade Palestina coordenará a segurança da Cisjordânia com Israel, incluindo a troca de informações.

A Autoridade Palestina, dominada pelo Fatah do presidente palestino Mahmud Abbas, costuma deter membros do Hamas na Cisjordânia, mas uma onda de prisão como esta não é comum.

Em junho de 2014, Israel havia detido centenas de membros do Hamas na Cisjordânia depois de ter acusado o movimento islamita do rapto e assassinato de três adolescentes israelenses.

A última onda de prisões ocorre em um clima de recentes tensões entre os dois movimentos rivais, mais de um ano após o acordo de reconciliação que não se materializou em fatos.

O acordo deveria, a princípio, colocar fim a uma rivalidade de vários anos e os dois movimentos aprovaram um governo de tecnocratas independentes para Cisjordânia e Faixa de Gaza.

Mas devido a divergências no pagamento de funcionários do Hamas em Gaza e ao controle do território, o Hamas não quis ceder o poder no enclave palestino.