Países iniciam reação para conter importações de têxteis chineses

Três meses após o fim do regime mundial de cotas para o setor têxtil, americanos e europeus se articulam para deter o avanço dos produtos chineses

Americanos e europeus intensificaram os estudos para a adoção de salvaguardas contra a importação de produtos têxteis da China. Desde o fim do regime mundial de cotas para o setor têxtil, em dezembro do ano passado, as exportações chinesas de têxteis têm invadido esses países.

Em fevereiro, os chineses venderam 650 milhões de dólares em artigos têxteis para os Estados Unidos e 783 milhões para os europeus. As cifras representam um incremento de 147% e 188%, respectivamente, sobre igual mês do ano passado. Por isso, o Departamento de Comércio americano já comunicou a intenção do governo Bush de adotar um sistema mais eficiente de monitoramento das importações de têxteis, a fim de que a eventual adoção de salvaguardas contra esses produtos cause pouco impacto sobre os consumidores.

De acordo com o americano The Wall Street Journal, os consumidores dos Estados Unidos são os principais beneficiados pelo aumento das importações. Enquanto a inflação geral ao consumidor acumulou alta de 3% nos 12 meses encerrados em fevereiro, o preço das roupas masculinas, por exemplo, baixaram 0,9%, em grande parte devido à entrada dos produtos chineses (se você é assinante, leia também reportagem de EXAME sobre o avanço dos países asiáticos no mercado mundial).

A imposição de restrições aos artigos têxteis deve enfrentar pouca resistência da China, caso os países europeus e os Estados Unidos decidam adotá-las. Ao ingressarem na Organização Mundial do Comércio, os países-membros reservaram-se o direito de adotar salvaguardas sobre determinados produtos, num prazo de até três anos. A Argentina, a Turquia e os Estados Unidos já decidiram restringir as importações em alguns setores.

Os fabricantes chineses argumentam que parte da explosão de vendas deve-se à pequena participação de seus produtos nos mercados mais desenvolvidos. A China detém apenas 1,4% do mercado americano de roupas de algodão, o que a coloca em 23º lugar entre os exportadores desse artigo, atrás de países como México, Guatemala e Vietnã.