Otan: um apelo pela união

Com a eleição de Donald Trump, os mais diversos líderes internacionais se apressam para garantir uma relação de cooperação com o presidente eleito. Hoje, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, entra para essa lista ao realizar, em Bruxelas, um discurso sobre segurança transatlântica e defesa da Europa. A importância da união com os Estados Unidos para garantia da paz no velho continente devem ser pontos fundamentais da fala.

Trump afirmou em campanha que deixaria de cumprir as obrigações americanas na Otan, a maior organização militar internacional do mundo, que surgiu no rescaldo da Segunda Guerra Mundial. Na semana passada, após a vitória, Stoltenberg lembrou a Trump que a Otan estava lá para os Estados Unidos no 11 de setembro — a única vez que a Otan acionou sua cláusula de autodefesa que estabelece que “o ataque em um dos países membros é um ataque em todos”.

As tensões internacionais na Europa são das mais críticas em uma geração. Países do leste europeu, como Estônia, Letônia, Lituânia, que entraram na Otan em 2004, além de Ucrânia e a região da Crimeia, que não são membros, temem uma ação expansionista da Rússia — principalmente após Trump se mostrar receptivo ao presidente Vladimir Putin. 

Durante os últimos 67 anos o órgão, composto por 28 Estados que concentram 70% de todo gasto militar do planeta — cerca de 1,17 trilhão de dólares, dos quais 596 bilhões são dos Estados Unidos —, foi a pedra fundamental que ajudou a manter a paz na Europa, um continente historicamente marcado por conflitos. Embora haja críticas à atuação da Otan na Líbia, nos Balcãs, e em ações para coibir o terrorismo, não se pode negar que a organização se manteve coesa. Ontem, Barack Obama clamou pela manutenção da unidade na organização. O discurso de hoje deve reforçar o apelo.