Otan condena entrada do comboio russo na Ucrânia

O secretário-geral da Otan condenou entrada do comboio humanitário russo na Ucrânia sem autorização das autoridades nem supervisão da Cruz Vermelha

Bruxelas – O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, condenou nesta sexta-feira a entrada do comboio humanitário russo em território ucraniano sem consentimento das autoridades de Kiev e nem supervisão da Cruz Vermelha, e a considerou uma “violação flagrante” dos compromissos internacionais feitos por Moscou.

“Condeno a entrada do chamado “comboio humanitário” russo em território ucraniano sem consentimento das autoridades ucranianas e sem participação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha”, declarou Rasmussen em comunicado.

“É uma violação flagrante dos compromissos internacionais da Rússia, incluindo os realizados recentemente em Berlim e Genebra, e uma nova violação da soberania da Ucrânia por parte da Rússia”, acrescentou.

Rasmussen recalcou que estes fatos “só podem aprofundar a crise na região, que a própria Rússia criou e seguiu alimentando”, e assegurou que não respeitar os princípios humanitários internacionais coloca dúvidas sobre se o verdadeiro propósito do comboio é apoiar a população civil ou abastecer os separatistas.

O chefe da Aliança Atlântica lembrou que estes eventos são inclusive mais preocupantes porque coincidem com o aumento da participação militar da Rússia no leste da Ucrânia desde meados de agosto, e assegurou que a artilharia russa está empregando contra as Forças Armadas da Ucrânia tanto na fronteira como no interior do país.

“Vimos transferências de grandes quantidades de armas, incluídos tanques, veículos blindados e artilharia aos grupos separatistas no leste da Ucrânia”, sustentou, e acrescentou que a Otan também está observando uma alarmante acumulação de forças aéreas e terrestres russas perto da fronteira com a Ucrânia.

Rasmussen advertiu que ao invés de diminuir as tensões, a Rússia está contribuindo para aumentá-las, apesar dos esforços da comunidade internacional para encontrar uma solução política à crise, e isto só pode dirigir a um maior isolamento do país.

“Peço encarecidamente à Rússia que não realize mais ações provocativas, detenha a desestabilização da Ucrânia e tome medidas genuínas para resolver esta perigosa situação com pleno respeito da soberania da Ucrânia e da integridade territorial e o direito internacional”, acrescentou.