Os juros (de novo) no radar

O Fed, o banco central americano, deve deixar intocadas as taxas de juros no país em reunião que termina nesta quarta-feira. Não será nenhuma surpresa: a instituição não vai brincar com os humores dos mercados a menos de uma semana das eleições presidenciais. O esperado é o que o banco presidido por Janet Yellen dê sinais claros que o aumento virá mesmo em dezembro, como se especula há meses. A taxa está no intervalo de 0,25% a 0,50%.

Acontece que, desde outubro de 2015, o banco vem sinalizando um aumento que não vem. O resultado são níveis de ansiedade inéditos entre os investidores, que se somam às incertezas de uma eleição presidencial totalmente imprevisível. Os números que poderiam corroborar um aumento se mantém, como foi destacado pelo banco em setembro: a economia cresceu 2,9% no terceiro trimestre, e o desemprego se mantém abaixo dos 5%.

Mas falta uma unanimidade entre os executivos do Fed porque as incertezas externas, como o crescimento da China e da Europa, o Brexit, e os juros negativos mundo afora, se mantêm. De quebra, o avanço do republicano Donald Trump nas pesquisas adiciona uma dose extra de incerteza. Para o Brasil, taxas maiores tendem a ser prejudiciais porque levam para os Estados Unidos investimentos que poderia aterrizar por aqui. Hoje, estarão todos de olho nas entrelinhas.