Os dez dias derradeiros da coalizão na Alemanha

ÀS SETE - Nos próximos dias, pouco menos de meio milhão de pessoas decidem o futuro político da Alemanha, principal economia da União Europeia

Nos próximos 10 dias, pouco menos de meio milhão de pessoas decidem o futuro político da Alemanha, principal economia da União Europeia.

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O Partido Social Democrata (SPD) começa hoje uma consulta interna com seus afiliados, para saber se há aprovação para o plano de coalizão com a União Democrata Cristã (CDU), o partido da chanceler Angela Merkel.

A CDU depende da coalizão com o SPD para formar um governo, depois de um desempenho ruim nas eleições do ano passado, quando angariou apenas 33% dos votos — pior resultado desde 1949.

O SPD é a última opção de Merkel, já que uma tentativa de coalizão com o Partido Verde (Grüne) e o Partido Liberal Democrata (FDP) não foi à frente.

Se os filiados ao partido rejeitarem o acordo, é esperado que o governo da Alemanha tenha que chamar novas eleições ou que a CDU estabeleça um governo de minoria, quando o partido no poder precisa firmar parcerias caso a caso com a oposição para aprovação das pautas.

Qualquer uma das hipóteses seria inédita na história pós-guerra da Alemanha, que há cinco meses convive com a incerteza política na busca por uma coalizão.

Pesquisas de opinião apontam que 66% dos sociais-democratas apoiam o acordo, enquanto que 30% querem novas eleições. Entre os democrata-cristãos, a aprovação é de 78%. Mas nenhuma consulta interna foi feita pelo partido e é incerto que o resultado possa ser favorável à formação de governo.

O SPD foi uma “oposição interna” dentro do governo nos últimos quatro anos e os contrários a prolongar a situação afirmam que foi a conivência e a participação no governo que levaram o SPD ao pior desempenho nas urnas desde a Segunda Guerra Mundial, com 20,5% dos votos.

Na última semana, a popularidade do partido caiu tanto que chegou a ser ultrapassado pelo Alternativa para Alemanha (AfD), legenda de extrema-direita.

Os opositores à coalizão são principalmente da ala mais jovem do SPD, a Jusos, que dizem que os ideais do partido não condizem com políticas-chave da União, principalmente em termos de imigração e assistência social.

Para eles, é hora de se tornar uma oposição de fato. Campanhas pelo país para que membros do partido votem “não” à coalizão já começaram.

Os resultados da consulta do partido saem no dia 4 de março — mesmo dia que os italianos irão às urnas para eleições gerais bastante imprevisíveis. A Europa, mais uma vez, caminha lado a lado com a incerteza.