Oposição nicaraguense pede renúncia de Ortega em diálogo com o governo

Encontro reuniu integrantes da sociedade civil e o governo, que surpreendeu ao assinalar negociação parelela com a Organização de Estados Americanos

Estudantes, empresários e membros da sociedade civil que participam de um diálogo com o governo da Nicarágua exigiram, nesta segunda-feira (21), “a renúncia imediata” do presidente Daniel Ortega e da vice-presidente Rosario Murillo.

“Esta é uma mesa de rendição”, manifestou o dirigente da coalizão universitária, Lester Alemán, ao pedir “a renúncia imediata” de Ortega e Murrilo durante a terceira sessão de diálogo com a mediação da Igreja Católica.

A dirigência estudantil também rejeitou a antecipação das eleições para antes de 2021, o que “permitiria uma oxigenação ao regime” e a recomposição interna das bases de seu partido, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).

“Não queremos uma simples troca de elites políticas” com eleições antecipadas. “Acreditamos que o início de um processo democrático é possível apenas com a ausência de Daniel Ortega, Rosario Murillo e seus partidários”, declarou Alemán.

As conversas foram transmitidas ao vivo pela televisão depois que, na sexta-feira, não foi permitido o acesso da imprensa e somente informaram por meio de um comunicado os acordos, que tinham como ponto principal uma trégua de 48 horas.

O chanceler Denis Moncada, que lidera a delegação do governo, surpreendeu a mesa de diálogo ao assinalar que os temas políticos e institucionais são objeto de uma negociação com a Organização de Estados Americanos (OEA).

“Há uma via paralela a este diálogo” que o governo e a OEA estão trabalhando há dois anos para o fortalecimento político, institucional e eleitoral.

Moncada fez referência a um acordo de entendimento com a OEA após as eleições de novembro de 2016, nas quais Ortega foi reeleito para um terceiro mandato e que a oposição denunciou como fraudulentas.

O conteúdo dessas conversas não foi tornado público, o que também foi denunciado pelos opositores, que pedem transparência para a OEA.

O representante empresarial, Michael Healy, qualificou de “preocupante” o fato de o governo negociar com a OEA pelas costas dos nicaraguenses.

O diálogo mantido entre o governo e a oposição busca uma saída pacífica aos protestos iniciados em 18 de abril e que deixaram dezenas de mortos e mais de 500 feridos, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

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