Opaq enviará equipe a Duma para investigar ataque químico

Após convite feito pelo governo de Bashar Al-Assad, Opaq confirmou que em breve mandará equipes para Ghouta Oriental para investigar suposto ataque químico

A Organização para Proibição das Armas Químicas (Opaq) anunciou nesta terça-feira (10) que enviará “em breve” uma equipe ao reduto rebelde de Duma, na Síria, para investigar o suposto ataque químico.

A Opaq, que recebeu um convite oficial de Damasco nesse sentido, “pediu à República árabe síria que faça os ajustes necessários para esse deslocamento”, informou a agência, acrescentando que “a equipe se prepara para se deslocar para a Síria em breve”.

De acordo com a agência de notícias estatal Sana, o Ministério sírio das Relações Exteriores “mandou um convite formal à Opaq para que envie uma equipe de sua missão para investigar as denúncias relacionadas ao suposto uso de armas químicas”.

“A Síria confirma sua vontade de cooperar com a organização”, enfatizou uma fonte da Chancelaria, citada pela Sana em um momento em que se multiplicam os pedidos da comunidade internacional de uma investigação sobre o episódio.

Socorristas e médicos atuando na cidade rebelde de Duma, em Ghouta Oriental, afirmaram que mais de 40 pessoas morreram pelo suposto ataque com gás tóxico.

As declarações do presidente americano, Donald Trump, no fim de semana, de que o governo sírio “pagará caro” pelo suposto ataque reavivaram o medo de novos ataques americanos no país. Esse movimento pode dar lugar a uma confrontação com Moscou, aliado incansável de Bashar al-Assad.

A Rússia já advertiu que uma intervenção militar americana seria “muito, muito perigosa”.

Na segunda-feira, o embaixador sírio na ONU, Bashar al-Jaafari, acusou os EUA, a França e outros países ocidentais de propagarem falsas acusações contra Damasco, “de modo a abrir caminho para um ataque na Síria como a agressão criminosa dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha no Iraque, em 2003”.

Estado de alerta

Classificando o suposto ataque de “horrível”, o presidente Donald Trump prometeu que seu país responderá “com força” e antecipou que haverá decisões importantes para “muito em breve”.

A Casa Branca considerou ainda que Damasco não conseguiria lançar um ataque dessa envergadura sem a ajuda de seus aliados Moscou e Teerã.

Estes últimos rebatem as acusações, garantindo que Washington e as potências ocidentais buscam um “pretexto” para atacar o governo sírio. E a Rússia advertiu para as “graves consequências” de ataques ocidentais contra a Síria.

Há a expectativa de que uma resposta militar seja votada no Conselho de Segurança da ONU nesta terça.

Segundo diplomatas, os Estados Unidos pediram uma votação para as 19h GMT (16h em Brasília) sobre seu projeto de resolução, instituindo um “mecanismo de investigação independente” da ONU sobre o suposto uso de armas químicas no país.

Rejeitando a iniciativa americana, Moscou deve apresentar seu próprio projeto de resolução, o qual envolveria a Opaq.

“Apresentaremos hoje um projeto de resolução que exigirá uma investigação”, declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, antes do anúncio do convite de Damasco.

Segundo ele, as forças russas na Síria e o regime sírio têm condições de garantir a segurança dos inspetores da Opaq.

Diante do risco de ataque, o Exército sírio colocou suas forças “em estado de alerta” para os próximos três dias nos aeroportos e nas bases militares do país, relatou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Essa medida é, em geral, adotada “em reação a ameaças externas”, explicou o diretor da ONG, Rami Abdel Rahman.

Uma fonte das forças aliadas ao governo afirmou que o governo será alertado em caso de ataque.

“Geralmente, os americanos avisam os russos antes – o que aconteceu há um ano. Na época, os russos informaram as autoridades sírias”, completou a mesma fonte ouvida pela AFP.

Em abril de 2017, Donald Trump bombardeou uma base militar síria, em represália a um ataque com gás sarin atribuído ao regime. Nele, mais de 80 civis morreram em Khan Sheikhun, no noroeste do território.

Nas ruas da capital, a população parece alheia às ameaças de ataque.

“Ninguém tem medo de um ataque”, diz Amal, um engenheiro de 27 anos, em tom desafiador.

“Sinceramente, não tenho medo de um ataque americano. Depois de sete anos do que a gente viu com essa guerra (…) não se tem mais medo”, afirma Rahf, um estudante ouvido pela AFP.

 

 

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