ONU vê “porta entreaberta” para possível negociação com Pyongyang

Cenário é considerado após o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos visitar a Coreia do Norte para um primeiro diálogo de maior profundidade

Nações Unidas – O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, Jeffrey Feltman, afirmou nesta terça-feira que, após sua recente visita a Pyongyang, acredita que há uma “porta entreaberta” para uma saída negociada com a Coreia do Norte.

“O tempo dirá sobre o impacto das nossas conversas, mas acredito que deixamos uma porta entreaberta. E espero firmemente que a porta para uma solução negociada se abra agora”, disse Feltman.

O diplomata americano informou hoje ao Conselho de Segurança da ONU sobre os resultados da visita que fez a Pyongyang na última semana, o primeiro diálogo de maior profundidade entre a organização e o governo norte-coreano em quase oito anos.

Feltman explicou que Pyongyang não lhe ofereceu nenhum compromisso com sua vontade de negociar com a comunidade internacional, mas se mostrou favorável em continuar o diálogo com as Nações Unidas.

Ele disse que as autoridades norte-coreanas ainda precisam de algum de tempo para “digerir” as conversas e discutir a questão internamente.

“Nós insistimos que acreditamos que eles devem indicar se eles estão dispostos seguir um caminho diferente”, afirmou.

Feltman insinuou que Pyongyang concentrou grande parte das conversações sobre a tensão com os Estados Unidos e disse ter lembrado as autoridades do país que, no que se diz respeito ao seu programa nuclear e de mísseis, existe um consenso internacional claro.

“A comunidade internacional está comprometida com uma solução pacífica e política para a situação” e “unida na sua oposição à pesquisa de armas nucleares” por parte da Coreia do Norte, ressaltou.

O diplomata, do ponto de vista pessoal, reconheceu que sua visita ao país asiático foi sem dúvida “a missão mais importante de sua carreira”.

“Senti a responsabilidade sobre os meus ombros durante o tempo que estive ali”, admitiu.

Tanto a ONU como o regime de Kim Jong-un consideraram durante as conversas que a situação na península coreana é atualmente “a mais tensa e perigosa” questão de paz e segurança no mundo.

Ao longo dos últimos meses, Pyongyang fez repetidos testes armamentísticos, desafiando as resoluções das Nações Unidas, elevando a tensão sobre tudo com os EUA.

Hoje, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou que a Coreia do Norte é “a ameaça mais imediata” para seu país, mas expressou sua intenção de “continuar a diplomacia com a esperança de sucesso até que caia a primeira bomba”.