ONU teme “banho de sangue” na Síria e pede fim de conflitos

Cerca de 60% das 900 mil pessoas que fugiram são crianças, informou a ONU

Genebra – A Organização das Nações Unidas (ONU) reiterou nesta sexta-feira seu apelo pela suspensão das hostilidades no noroeste da Síria, alegando temer que a violência “possa terminar em um banho de sangue”.

Cerca de 60% das 900 mil pessoas que fugiram, mas estão presas em um espaço cada vez menor são crianças, disse o porta-voz da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Jens Laerke, em entrevista coletiva em Genebra. A “violência implacável” deve parar antes de degenerar ao “que tememos que possa terminar em um banho de sangue”, afirmou ele.

Aviões de guerra russos voltaram a atacar cidades do noroeste da Síria dominadas por rebeldes na quinta-feira, e a artilharia turca apoiou ataques de insurgentes em outras partes, enquanto autoridades dos dois países se esforçavam para chegar a um acordo para deter uma escalada na guerra síria.

Em Genebra, o chefe da agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu uma interrupção dos combates para que centenas de milhares de civis retidos possam ir para locais seguros.

Tropas sírias auxiliadas por forças da Rússia estão lutando desde dezembro para erradicar os últimos bastiões rebeldes das províncias de Idlib e Aleppo, o que pode ser um dos últimos capítulos da guerra civil de nove anos.

Na quarta-feira, o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, ameaçou lançar uma operação militar contra as forças do governo a menos que estas recuem, e tropas e armamentos turcos já foram posicionados dentro da Síria.

As conversas entre Ancara, que apoia algumas facções rebeldes, e Moscou para evitar um conflito mais amplo e um possível confronto direto têm avançado pouco.

As autoridades turcas pareciam mais otimistas nesta quinta-feira, e uma disse que a rodada mais recente não transcorreu “completamente sem resultado”.

“A Rússia vem mantendo sua posição de que a Turquia se retire de Idlib e esvazie seus postos de observação desde o início. Recuar de Idlib ou esvaziar os postos de observação não está na pauta”, disse o funcionário.

Mas várias opções estão sendo debatidas, inclusive a possibilidade de patrulhas conjuntas na área. Tanto Ancara como Moscou espera que seus presidentes “encerrem o assunto”, acrescentou.

O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, disse que houve alguma reconciliação com a Rússia nas conversas, mas que elas ainda não chegaram ao nível desejado. Ancara e Moscou se acusam de desprezar um acordo de apaziguamento de 2018 que permitiu a turcos e russos montarem postos de observação em Idlib.