ONU sugere que autoridades da Síria sejam julgadas pelo TPI

Em nove meses de embate entre manifestantes sírios e forças do governo, estima-se que quatro mil pessoas tenham morrido nos distúrbios

Brasília – A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, defendeu hoje (2) que o governo da Síria seja julgado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) em decorrência das acusações de violar os direitos humanos dos manifestantes que protestam contra o governo. Para Navi Pillay, os responsáveis pelos crimes nas cidades sírias devem julgados pela corte internacional. Ela não apontou nomes.

A estimativa é que mais de 4 mil pessoas tenham morrido, nos últimos nove meses, devido aos embates entre manifestantes e forças policiais. Desde março, o governo do presidente sírio, Bashar Al Assad, é alvo de protestos em todo país. Os manifestantes querem o fim da era Assad, que dura 11 anos, e mais liberdade política e de expressão.

Navi Pillay apelou que a comunidade internacional tome medidas urgentes para proteger o povo sírio. No dia 28, foi divulgado um relatório, feito por peritos estrangeiros, no qual as forças de segurança sírias são acusadas de violar os direitos humanos no país. Há relatos de casos de estupro, assassinatos e desaparecimentos, além de maus-tratos a crianças e adolescentes no país.

“O governo da Síria tem sido incapaz de proteger seus cidadãos, a comunidade internacional deve tomar medidas urgentes e eficazes para proteger o povo sírio”, disse Navi Pillay. Segundo ela, há 14 mil pessoas detidas por terem participado das manifestações contra o governo e 12 mil refugiados em países vizinhos à Síria.

No relatório, elaborado pela comissão internacional, há referências de que 307 crianças foram mortas na Síria, das quais 45 são meninas, e em muitos casos há registros de tortura. Segundo os peritos estrangeiros, que não tiveram autorização para entrar na Síria, as prisões do país estão lotadas e detentos políticos, entre eles homens, são colocados nos mesmos espaços físicos em que ficam mulheres e crianças

*Com informações da BBC Brasil e da agência pública de notícias do México, Notimex