ONU pede US$ 951 mi para ajudar na crise dos rohingyas

Até o final do ano, a ajuda será distribuída a 884 mil refugiados rohingyas e 336 mil membros das comunidades que os acolhem

As Nações Unidas lançaram nesta sexta-feira (16) em Genebra, na Suíça, o Plano Conjunto de Resposta para a Crise Humanitária Rohingya, visando captar US$ 951 milhões para ajudar, até ao final desse ano, 1,3 milhão de pessoas dessa etnia envolvida numa crise de refugiados. O pedido reuniu 130 parceiros no total, incluindo agências da ONU e ONGs internacionais.

Segundo o apelo, “é necessário financiamento urgente para satisfazer as necessidades humanitárias essenciais dos refugiados e das comunidades de acolhimento.” Mais da metade dos fundos será usada em comida, abrigos e segurança.

Até o final do ano, a ajuda será distribuída a 884 mil refugiados rohingyas e 336 mil membros das comunidades que os acolhem. O documento inclui planos de contingência que preveem a chegada de mais 80 mil refugiados nos próximos meses.

Nos campos de refugiados já existentes são necessários cerca de 16 milhões de litros água potável todos os dias e mais de 12 mil toneladas de comida por mês. Além disso, precisam ser construídas 50 mil latrinas e 180 mil famílias necessitam de combustível para cozinhar.

O plano diz que são precisos 200 centros de cuidados médicos e 5 mil salas de aulas para as cerca de 614 mil crianças e jovens. Existem 22 mil crianças consideradas em risco e que devem receber ajuda prioritária. A ONU calcula que perto de 400 mil crianças precisam de apoio pós-trauma.

Desafios

O documento destaca que existem vários desafios a serem enfrentados, e cita as condições superlotadas dos campos, centenas de incidentes de violência de gênero reportados todas as semanas e problemas de saúde, como sarampo e difteria.

Segundo o apelo da ONU, as primeiras chuvas que chegam nas próximas semanas podem provocar deslizamentos, cheias e surtos de doenças. Mais de 150 mil refugiados vivem em áreas que vão desabar ou ficar alagadas durante as chuvas.

O pedido termina dizendo que esta “é uma crise humanitária grave e que precisa de financiamento urgente para prestar uma ajuda essencial a milhares de pessoas.” Os autores defendem que é preciso “complementar a extraordinária generosidade do governo do Bangladesh.”

Entenda a crise dos rohingya A crise tem origem em Myanmar (antiga Birmânia), país do sul da Ásia continental, governado por uma junta militar e limitado ao norte e nordeste pela China, a leste pelo Laos, a sudeste pela Tailândia, ao sul pelo Mar de Andamão e pelo Canal do Coco, a oeste pelo Golfo de Bengala e a noroeste por Bangladesh e pela Índia. A cultura e religião do país baseia-se predominantemente no budismo theravada, temperado por elementos locais.

Depois de anos de tensões étnicas, a violência eclodiu na região oeste de Myanmar opondo a minoria muçulmana rohingya e o exército birmanês, apoiado por milícias budistas.

Os confrontos começaram em meados do ano passado e de lá pra cá só aumentaram, fazendo com que mais de milhão de rohingyas buscasse refúgio no país vizinho, Bangladesh, de maioria muçulmana. O resultado é uma crise humanitária sem precedentes, que vem sendo ignorada pela comunidade internacional e o governo de Mianmar.