ONU: mortes em Fukushima não foram causadas por radiação

Apesar da elevada exposição à radiação sofrida por alguns dos trabalhadores da Tepco na usina de Fukushima, "não foram registrados efeitos clinicamente observáveis"

Viena – Os seis trabalhadores da TEPCO, empresa gerente da usina nuclear japonesa de Fukushima, que morreram desde o grave acidente ocorrido em março de 2011, não perderam a vida em consequência da radiação recebida, assegura um relatório das Nações Unidas apresentado nesta quinta-feira em Viena.

O estudo preliminar do Comitê Científico da ONU sobre os Efeitos da Radiação Atômica (UNSCEAR, na sigla em inglês) explica que graças a medições de elementos radioativos no ar, solo, água e alimentos, analisa as doses recebidas por adultos e crianças em diferentes partes do Japão.

Apesar da elevada exposição à radiação sofrida por alguns dos trabalhadores da TEPCO na usina de Fukushima Daiichi, ‘não foram registrados efeitos clinicamente observáveis’.

O UNSCEAR deve apresentar um relatório mais exaustivo dentro de um ano.

Wolfgang Weiss, presidente rotativo do Comitê, explicou hoje à imprensa que um desses falecidos tinha leucemia, mas ‘é possível descartar que tenha tido algo a ver com a exposição radiológica’.

Segundo os dados do UNSCEAR, um total de 20.115 trabalhadores esteve exposto a radiações em Fukushima, dos quais apenas oito receberam elevadas doses de radiação, segundo dados oficiais do Japão.

Weiss considerou como ‘confiáveis’ estes números e destacou que as maiores concentrações de radiação aconteceram nos primeiros dias após o acidente, quando um número muito reduzido de trabalhadores estava na usina.

Em todo caso, o especialista reconheceu que ‘validar a exposição dos trabalhadores à radiação será um desafio’.

Por outra parte, Weiss qualificou como ‘destacáveis’ as medidas de contenção promovidas pelas autoridades japoneses, inclusive as evacuações em grande escala e o corte de provisão de leite para crianças.

Graças a essas medidas, a exposição radiológica da população local ‘foi muito moderada’, asseverou o presidente do UNSCEAR, destacando o tempo todo o caráter preliminar dos dados apresentados e o fato de que a análise dos efeitos de Fukushima é um projeto de longo prazo.

O UNSCEAR, um comitê que existe desde 1995 e ao qual pertencem 27 analistas de todo o mundo, recebe os dados que analisa das autoridades japonesas e de diferentes agências das Nações Unidas, assim como da Organização Mundial da Saúde e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.