ONU e Liga Árabe pedem que Síria e rebeldes aceitem trégua

O fim das hostilidades ocorreria durante a festividade muçulmana do Eid al-Adha (Festa do Sacrifício)

Nova York – A ONU e a Liga Árabe pediram ao regime sírio de Bashar al Assad e aos rebeldes opositores nesta sexta-feira que aceitem a proposta do mediador internacional, Lakhdar Brahimi, de um cessar-fogo e do fim das hostilidades durante a festividade muçulmana do Eid al-Adha (Festa do Sacrifício).

“Este passo deve ser sustentado e pode ajudar a criar um espaço para um processo político pacífico que respeite as aspirações legítimas do povo sírio por democracia, igualdade e justiça”, afirmaram em comunicado conjunto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e seu colega da Liga Árabe, Nabil al Araby.

Ban e Araby acreditam que as forças do regime e os opositores vão aceitar a proposta de Brahimi para que os sírios possam celebrar a festividade em um ambiente “pacífico e seguro”, e pediram a todos os atores regionais e internacionais que apoiem a solicitação do enviado especial.

“Fazemos esta proposta em particular ao governo sírio, como a parte mais forte, para que demonstre inteligência e visão e ponha fim às mortes e a destruição para que todos os assuntos, independente de sua complexidade, sejam resolvidos de maneira pacífica”, acrescentaram os diplomatas.

Por último, após lembrar que quanto mais tempo durar a violência mais difícil será encontrar uma solução pacífica para a reconstrução da Síria, os secretários-gerais solicitaram às partes que tomem todas as medidas necessárias para garantir o sucesso dos esforços mediadores de Brahimi.


O diplomata argelino, que assumiu a mediação após a renúncia de Kofi Annan em agosto, está no meio de uma viagem que passa por vários países da região nesta semana para buscar apoio para um cessar-fogo durante a Festa do Sacrifício, que começa na próxima semana.

Brahimi, que já se encontra em Damasco, afirmou na quinta-feira em Amã (Jordânia) que sua proposta de trégua durante a festa muçulmana do Sacrifício, que não contaria com nenhum tipo de supervisão internacional, pode ser um instrumento para ajudar a encontrar uma solução política para o conflito na Síria.

A crise na Síria persiste desde março de 2011 e já causou mais de 25 mil mortes, 2,5 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária e mais de 250 mil tiveram que se refugiar em países vizinhos, segundo dados das Nações Unidas.