ONU alarmada por morte de crianças afegãs por forças dos EUA

Segundo comitê da organização, as mortes ocorreram por "suposta falta de medidas de precaução e ao uso indiscriminado da força"

Cabul – Um comitê da ONU se mostrou alarmado devido aos relatos de que centenas de crianças foram mortas por forças militares americanas no Afeganistão nos últimos cinco anos.

O Comitê sobre os Direitos da Criança, sediado em Genebra, disse que as mortes ocorreram “devido à suposta falta de medidas de precaução e ao uso indiscriminado da força”.

O relatório, recebido pela AFP nesta sexta-feira, também expressou preocupação de que as tropas responsáveis pela morte de crianças nem sempre tenham sido responsabilizadas e que as queixas das famílias das vítimas não tenham sido corrigidas.

Os comentários do Comitê foram feitos após uma revisão quinquenal do cumprimento pelos Estados Unidos de um tratado internacional sobre o envolvimento de crianças em conflitos armados.

O Comitê afirmou que estava “alarmado com os relatos da morte de centenas de crianças como resultado de ataques e ataques aéreos por parte das forças militares americanas no Afeganistão no período de referência”.

“O Comitê expressa grande preocupação pelo fato de que o número de crianças vítimas dobrou de 2010 para 2011”.


Não houve reação imediata dos Estados Unidos. A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, disse a repórteres na quinta-feira que não tinha visto o relatório, mas que iria analisá-lo.

Um relatório da ONU de abril do ano passado afirmou que 110 crianças foram mortas e 68 feridas em ataques aéreos realizados pelas forças da Otan, lideradas pelos Estados Unidos, e pelas forças de segurança afegãs em 2011.

O relatório do Comitê não forneceu estatísticas precisas.

“Os Estados Unidos podem e devem fazer mais para proteger as crianças afetadas por conflitos armados”, afirmou Jo Becker, diretora de defesa dos direitos das crianças na organização Human Rights Watch.

Ela apelou para que os Estados Unidos ouçam as recomendações do Comitê, que incluem tomar “medidas de precaução firmes e concretas e evitar o uso indiscriminado da força” para garantir que civis e crianças não sejam mais mortos.

Dados da ONU mostram que a grande maioria das mortes de civis na guerra do Afeganistão foram causadas por insurgentes talibãs, principalmente através de bombas ou ataques suicidas.

Mas as mortes causadas por forças da Otan têm sido um ponto de atrito com o governo do presidente Hamid Karzai.