ONG envia trailers à França para proteger refugiados do frio

A Caravans for Calais recolhe trailers doados e os envia para a “Selva”, um campo improvisado que abriga cerca de 6 mil refugiados e imigrantes

“Espero que as pessoas sintam menos desconforto nessa situação terrível.”

um campo de refugiados improvisado em calais

As temperaturas na fria Calais, no norte da França, devem despencar nesse inverno, mas os milhares de imigrantes e refugiados da área são obrigados a viver em tendas e cabanas improvisadas.

Uma organização sem fins lucrativos baseada no Reino Unido quer mudar essa situação enviando trailers para abrigar os refugiados.

A Caravans for Calais recolhe trailers doados e os envia para a “Selva”, um campo improvisado que abriga cerca de 6.000 refugiados e imigrantes.

As condições da Selva são precárias: em outubro, um grupo de pesquisadores encontrou a bactéria E. coli numa fonte de água, vasos sanitários entupidos e infestações de ratos e camundongos.

Um tribunal de Calais, além de várias organizações humanitárias, exigiram que a administração regional melhorasse as condições sanitárias do campo, afirmando tratar-se de “graves violações dos direitos humanos”.

a selva

“A ideia é que os trailers sirvam de abrigo quando houver inundações, neve, vento e frio”, disse ao World Post, via Facebook, Lea Beven, fundadora do grupo. “Espero que as pessoas sintam menos desconforto nessa situação terrível.”

“Abrigos e trailers são MUITO melhores que barracas”, disse ela.

Desde o lançamento, em 1º de setembro, a organização já recebeu 45 trailers e levantou US$ 25.700 (R$ 98.500), diz Beven.

A página do grupo no Facebook tem mais de 1.200 membros, e a organização tem uma equipe de 25 pessoas espalhadas pela Europa para ajudar na coordenação dos esforços.

O grupo trabalha com diversas agências de ajuda humanitária que operam na Selva para identificar quem vai ocupar os trailers, diz Beven. Famílias particularmente vulneráveis, tais como aquelas com crianças pequenas ou pessoas com deficiências, têm preferência.

Alguns trailers também são usados por voluntários independentes que se oferecem para ajudar os refugiados em Calais.
No momento, quatro deles funcionam como consultórios para médicos e dentistas, e dois outros, como cozinhas.

A cada dia, cerca de cem pessoas visitam esses consultórios médicos improvisados, que atendem desde casos de imigrantes que se feriram na tentativa de chegar ao Reino Unido a problemas de saúde causados pelas más condições de higiene do campo, diz Beven.

O grupo continua procurando todo tipo de doação, incluindo caminhões e vans, assim como dinheiro para cobrir os custos de transporte e voluntários para ajudar no trabalho.

“Mandamos tudo o que seja necessário, desde que seja móvel e que esteja em boas condições”, diz Beven. “Não mandamos barracas porque elas não resistem ao mau tempo.”

selva

A Selva existe desde o começo dos anos 2000 e é ocupada por pessoas que buscam asilo no Reino Unido.

O campo fica a cerca de 15 quilômetros da entrada do Eurotúnel, que liga a França ao Reino Unido.

Centenas de imigrantes tentam fazer a travessia a pé todas as noites, pulando cercas, tentando pegar carona em caminhões ou atravessando os trilhos do trem. Muitos se machucam, e pelo menos 15 morreram desde meados deste ano.

Além disso, a Selva parece pouco preparada para o inverno que se aproxima.

Amelia Gentleman observou no The Guardian, no início deste mês, que a maioria das pessoas – imigrantes, refugiados e voluntários – vivem em barracas improvisadas, construídas com madeira barata e plástico.

Ela também disse que a maioria das pessoas usa chinelos velhos ou, se tiverem sorte, sapatos, mesmo que estejam apertados.

Beven diz que espera expandir a atuação do grupo para além de Calais.

“Agora estamos tentando ir além de Calais, porque está funcionando e porque conseguimos [enviar trailers] para lá tão rápido, com a ajuda de voluntários”, disse Beven.

“Em vez de limitar a ajuda que podemos oferecer, se conseguirmos mais voluntários, podemos enviar uma unidade médica e uma unidade para bebês e alguns veículos 4×4 para ajudar na Grécia.”

“As pessoas estão caminhando rotas muito longas, algumas de 30 quilômetros”, afirma ela. “Estamos tentando oferecer ajuda no meio do caminho. Se as pessoas tiverem bebês, elas podem trocar as fraldas – esse tipo de coisa.”