OMS pede financiamento no combate a doenças tropicais

Organização prevê um total de 34 bilhões de dólares necessários para lutar contra as doenças tropicais nos próximos 16 anos

Londres – A Organização Mundial da Saúde pediu aos países em desenvolvimento nesta quinta-feira que invistam 1 dólar por pessoa por ano até 2030 para combater 17 doenças tropicais negligenciadas e melhorar a saúde e o bem-estar de mais de 1,5 bilhão de pessoas.

Prevendo um total de 34 bilhões de dólares necessários para lutar contra as doenças tropicais nos próximos 16 anos, a OMS disse que os governos de países em que pessoas ficam cegas, desfiguradas e morrem por causa dessas enfermidades têm de reconhecer o grande potencial em retorno humano e econômico do combate ao problema.

“O aumento dos investimentos por parte dos governos nacionais pode aliviar a miséria humana, distribuir os ganhos econômicos de forma mais uniforme e liberar massas de pessoas que vivem na pobreza”, afirmou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, em um relatório.

O investimento representaria apenas 0,1 por cento da despesa corrente nacional de saúde dos países de renda baixa e média afetados por doenças tropicais, de acordo com a OMS, e também pode incentivar os doadores internacionais a aumentar a ajuda.

Doenças tropicais como a oncocercose (também chamada de cegueira dos rios), a raiva, a dracunculíase (ou verme da Guiné) e a elefantíase causam desfiguração, invalidez e morte entre milhões de pessoas pobres nos países em desenvolvimento.

Também entre as 17 na mira da OMS estão a tripanossomíase humana africana, ou doença do sono – uma infecção parasítica transmitida por moscas tsé-tsé, que é quase 100 por cento fatal se não houver diagnóstico rápido e tratamento – e a dengue, transmitida por mosquito, que em sua forma grave pode causar complicações letais.

O diretor de controle de doenças tropicais da OMS, Dirk Engels, disse à Reuters que, embora na maioria das vezes essas enfermidades afetem as pessoas mais pobres, muitas dessas nações onde elas são endêmicas são economias de renda média, onde o crescimento está se acelerando.

“Os países endêmicos podem fazer a sua parte”, disse ele em uma entrevista em Londres. “A erradicação dessas doenças é possível com esforço contínuo e investimento.”

Engels também afirmou que a devastadora epidemia de Ebola na África Ocidental, no ano passado, evidenciou para os países em desenvolvimento o risco de não fazer nada para combater as doenças, muitas vezes ignorados pelos países ricos não afetados.

“O Ebola mostra que, quando há urgência real, algo pode ser feito (por doadores estrangeiros e empresas farmacêuticas)”, disse ele. “Mas também mostra que talvez não devamos esperar até que se torne urgente.”