OEA faz reunião extraordinária para discutir Venezuela

Organização deve discutir como frear Maduro e dar força a Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela

A pressão internacional pela saída do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, deve ter novo capítulo nesta quinta-feira, 24. O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) vai se reunir hoje, em Washington, nos Estados Unidos, para discutir a crise venezuelana.

Na quarta, 23, em meio às manifestações contra Maduro, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se declarou presidente interino da Venezuela. Pouco depois do pronunciamento, Brasil, Estados Unidos e outros países já reconhecerem o opositor como presidente interino do país.

O secretário-geral da OEA, Luis Almargo, publicou em seu Twitter: “Nossas felicitações a Juan Guaidó como presidente interino de Venezuela. Ele tem todo nosso reconhecimento para impulsionar o retorno do país à democracia”. Já o presidente norte-americano Donald Trump, em comunicado, disse que vai usar “todo o peso do poder econômico e diplomático dos Estados Unidos para pressionar pela restauração da democracia venezuelana”.

Logo depois do reconhecimento americano, Maduro anunciou o rompimento das relações diplomáticas da Venezuela com os Estados Unidos, além de acusar o país de tentativa de golpe. “Temos denunciado o governo imperialista dos EUA, que dirigem uma operação para impor um golpe de estado na Venezuela. Pretendem eleger e designar o presidente da Venezuela por vias não constitucionais”, disse o líder chavista.

Maduro, eleito em uma eleição fortemente contestada, enfatizou que não deixará o poder. “Aqui não se rende ninguém, aqui não foge ninguém. Aqui vamos à carga. Aqui vamos ao combate. E aqui vamos à vitória da paz, da vida, da democracia”, disse.

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, disse que as Forças Armadas do país vão rejeitar qualquer um que se declare presidente por “interesses obscuros”

Questionado sobre a resistência de Maduro, Jair Bolsonaro disse ao Estadão que “espera o pior”.

Apoio dos militares

Nicolás Maduro deve receber nesta quinta-feira o apoio da cúpula militar, a base de sustentação de seu governo. em uma tentativa de contra-atacar o crescente respaldo internacional ao líder parlamentar Juan Guaidó.

O ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e os comandantes regionais devem pronunciar o “apoio ao presidente constitucional” em “respaldo da soberania” do país, anunciou o governo.

“Não aceitamos um presidente imposto à sombra de interesses obscuros, nem autoproclamado à margem da lei”, afirmou na quarta-feira Padrino López no Twitter.

Na véspera, Guaidó, respaldado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu às Forças Armadas que permaneçam “ao lado da Constituição” e voltou a estender a mão aos que não abandonarem Maduro, reiterando a oferta de uma lei de anistia.

Para o centro de análise Eurasia Group, o reconhecimento do alto comando militar é um requisito para que Guaidó consiga liderar uma transição. Sem este apoio, “a queda de Maduro não parece iminente”.

Maduro deve comparecer nesta quinta-feira a uma sessão no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), de linha chavista e considerado outro pilar de seu governo.

Pouco antes da autoproclamação de Guaidó, o TSJ ordenou à Procuradoria uma investigação penal dos integrantes do Parlamento – de maioria opositora -, ao acusá-los de usurpar as funções de Maduro.

“Pode acontecer desde uma reação a seu favor por parte de fatores que sustentam Maduro até uma reação violenta contra ele (Guaidó) ou o Parlamento. Maduro pode ignorá-lo para deixar que caia por seu próprio peso”, afirmou à AFP o cientista político Luis Salamanca.

O agravamento da crise acontece em meio ao pior momento econômico da história moderna do país, com falta de alimentos e remédios, além de uma hiperinflação, que segundo o FMI deve atingir 10.000.000% em 2019.

Distúrbios durante protestos contra Maduro deixaram pelo menos 13 mortos desde terça-feira, de acordo com a ONG Observatório de Conflitividade Social, crítica do governo. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos registrou 16 mortes apenas na quarta-feira.