Odebrecht pode degolar outro presidente: o peruano PPK

ÀS SETE - Kuczynski é acusado de receber dinheiro da empresa enquanto ocupava uma cadeira de ministro da Economia

A quinta-feira pode ser um dia definitivo para o mandato do presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski.

O parlamento do país se reúne hoje para a votação que pode cassar o mandato de PPK por seus vínculos com a empreiteira brasileira Odebrecht.

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Ele é acusado de receber dinheiro da empresa enquanto ocupava uma cadeira de ministro da Economia e, posteriormente, primeiro-ministro do governo Alejandro Toledo por serviços de consultoria em contratos públicos no Peru, um flagrante conflito de interesse.

A suspeita é de que ele tenha recebido 800.000 dólares da empreiteira por meio de uma consultoria chamada Westfield Capital para serviços na estrada Interocenánica Norte, que interliga o país com o Brasil.

O presidente admite que prestou serviço à Odebrecht por outra empresa, a First Capital, e disse que não ocupava cargo público na ocasião.

Há seis dias, o presidente foi à televisão para se explicar, mas convenceu ninguém. Desde a revelação do esquema, há uma semana, o apoio a PPK esfacela-se em tempo recorde.

Ao contrário do Brasil, onde os aliados mantêm-se fiéis mesmo com assessores presidenciais carregando mala com 500.000 reais em dinheiro vivo e senadores são flagrados pedindo 2 milhões de reais a empresários, no Peru os partidos de esquerda que compunham a base eleitoral de PPK nas últimas eleições, em 2016, viram-lhe as costas.

Imediatamente, 93 dos 130 congressistas votaram a favor de uma moção de pedido de impedimento de PPK.

São necessários 87 votos contra o presidente para encerrar o mandato. A coalizão de oposição é coordenada por Keiko Fujimori, da Fuerza Popular, e candidata derrotada por pouco por PPK nas eleições.

Caso o presidente seja impedido, o vice-presidente, Martín Vizcarra, toma posse em seu lugar. PPK seria apeado do poder em apenas um ano e quatro meses de mandato. Por aqui, em três anos e meio de Operação Lava-Jato, temos zero condenados.