Obama visitará Israel e ANP para reativar processo de paz

A visita, de três dias está programada para 20 de março

Jerusalém – Barack Obama deve realizar no próximo mês de março sua primeira visita como presidente dos Estados Unidos a Israel e à Autoridade Nacional Palestina (ANP) para reativar o processo de paz, informou nesta terça-feira o “Canal” 10 israelense.

A visita, de três dias e programada para 20 de março, está sendo preparada em segredo e equipes de segurança da Casa Branca estiveram na região nos últimos dias, acrescentou a fonte.

“O objetivo é reativar consideravelmente o processo de paz”, segundo fontes governamentais israelenses, que qualificaram a visita de”histórica”.

Em comunicado remitido à Agência Efe, uma fonte do escritório do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se limitou a confirmar que os líderes “falaram por telefone sobre uma visita do presidente (Obama) a Israel depois da formação de Governo”.

“As duas partes concordaram que uma visita deste tipo será uma grande oportunidade para ressaltar a amizade e a cooperação entre os dois países”, acrescentou o breve comunicado.


Em Washington, a Casa Branca confirmou a viagem, mas esclareceu que a data não era definitiva.

Ao contrário de seus dois antecessores na Casa Branca, Bill Clinton e George W. Bush, em seus primeiros quatro anos de Governo o atual presidente americano não visitou nem Israel nem a ANP apesar de ter estado na região em várias ocasiões.

Obama, que entre 2009 e 2010 tentou sem sucesso reativar o processo de paz na região, deseja alguma conquista para a diplomacia americana, ressaltaram as fontes, que não entraram em detalhe sobre seu alcance ou significado.

A última vez que israelenses e palestinos se sentaram ao redor de uma mesa para negociar foi em setembro de 2010, ao final de uma moratória parcial de dez meses que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tinha declarado na construção dos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

Terminada a moratória, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, abandonou as negociações e desde então exige a interrupção das atividades israelenses nos assentamentos como condição para voltar ao diálogo.


No sábado, ao receber a incumbência de formar um novo Governo do presidente israelense, Shimon Peres, Netanyahu estendeu a mão ao líder palestino, Mahmoud Abbas, e lhe ofereceu retornar à mesa de negociações.

Os resultados eleitorais em Israel e a vontade de Netanyahu de rodear-se de uma coalizão ampla com o apoio dos partidos de centro também indicam que em seu segundo mandato pode tomar decisões nessa direção.

A ideia que Obama visite Jerusalém em 2013 saiu da presidência israelense, que organiza em junho uma edição especial da Conferência Presidencial, fórum de debates apadrinhado pela chefia do Estado, por ocasião do 90º aniversário de Peres.

Segundo a versão do “Canal 10”, a Casa Branca respondeu positivamente ao convite com a condição de que o presidente tenha “uma razão diplomática de peso”.

As relações entre Israel e EUA foram afetadas nos últimos dois anos pelas tensões pessoais entre Netanyahu e Obama e pelas divergências surgidas sobre o programa nuclear iraniano.