O que está em jogo nas eleições legislativas dos Estados Unidos

A ocasião que é considerada uma espécie de referendo sobre o presidente Donald Trump

Washington, 2 nov (EFE).- Na próxima terça-feira, os Estados Unidos terão as primeiras eleições legislativas depois da chegada de Donald Trump à Casa Branca, uma ocasião que é considerada uma espécie de referendo sobre o presidente e na qual os políticos do Partido Democrata pretendem conseguir a maioria de pelo menos uma das duas câmaras do Congresso, atualmente nas mãos do Partido Republicano.

As 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e mais um terço das 100 do Senado estão em disputa, assim como 30 postos de governador e centenas de cargos públicos estaduais e municipais. O pleito é uma oportunidade para os políticos democratas recuperarem força depois da derrota nas eleições presidenciais de 2016, quando não só perderam a corrida pela Casa Branca como o controle em ambas as câmaras.

Durante a realização das eleições primárias, os republicanos que tiveram mais vitórias foram os mais próximos ou apoiados por Trump, e os democratas viram muitos rostos novos surgindo e vencendo as disputas internas visando o pleito legislativo de 6 de novembro. No entanto, nem um, nem outro configuram questões de fenômenos hegemônicos, mas de tendências eleitorais que podem definir o panorama após as eleições.

Para Steffen Schmidt, professor de Ciência Política da Universidade de Iowa, embora a quantidade de candidatos mais à esquerda tenha aumentado em relação aos clássicos no Partido Democrata, os primeiros continuam a ser uma minoria, e, se forem escolhidos, terão que trabalhar com colegas mais velhos e mais conservadores. Este é um fenômeno similar ao do chamado Tea Party no Partido Republicano.

“No entanto, a esperança é que em muitos distritos e em alguns estados, os progressistas se conectem melhor com o eleitorado. Isto pode ajudar a ganhar cadeiras. Mas, se alguém muito liberal concorrer em um distrito conservador, o partido perderá postos”, afirmou Schmidt à Agência Efe.

De acordo com ele, o movimento progressista é forte, mas pode ser que não seja tão grande quanto o imaginado. Cálculos do jornal “The New York Times” apontam que os democratas têm 84% de chances de vencer na Câmara dos Representantes, na qual precisam tirar dos republicanos pelo menos 24 cadeiras para conseguir a maioria.

No entanto, no Senado, a façanha é mais complicada. Lá, os democratas têm que defender mais assentos do que os republicanos, e em estados especialmente conservadores.

Flórida, Arizona, Texas, Indiana, Missouri e Montana são alguns dos lugares onde as pesquisas indicam que a disputa será mais acirrada, mas, de acordo com o mesmo jornal, o mais provável é que os republicanos mantenham a maioria no Senado, com 82%. Os governos estaduais também são controlados na maioria por conservadores, e nem todos estão em disputa neste ciclo eleitoral. Porém, os democratas podem equilibrar mais a balança e acumular um maior poder nos cargos estaduais mais altos em nível executivo.

Segundo as pesquisas de intenção de voto mais recentes, os democratas conseguirão recuperar pelo menos seis ou oito governos atualmente com republicanos, e o contrário aconteceria em apenas um caso.

Um aspecto fundamental será a mobilização do voto jovem e de mulheres, duas parcelas da população que parecem estar especialmente comprometidas com estas eleições após a chegada de Trump à presidência.

As acusações de assédio sexual ao recém-confirmado juiz do Supremo Tribunal Brett Kavanaugh e o comportamento dos senadores republicanos nesse processo parecem ter tido consequências eleitorais, instalando uma sensação pessimista entre os democratas, o que permitiu aos republicanos diminuir as distâncias nas pesquisas.

De qualquer forma, além dos levantamentos feitos sobre a aprovação de Trump, que por pouco supera 40%, o pleito será um verdadeiro teste para a gestão do magnata, assim como para o processo de reconstrução do Partido Democrata visando as eleições presidenciais de 2020.

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