O G20 e o apagado Rex Tillerson

Onde está o secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson? Desde que assumiu um dos mais altos postos de gabinete do país, após ser confirmado pelo Senado, no dia 1º de fevereiro, Tillerson, ex-presidente da petroleira Exxon Mobil, tem se mantido nos bastidores. Hoje ele participa do último dia da reunião do G20 em Bonn, na Alemanha.

Tillerson, que não tem experiência de governo, já perdeu duas importantes reuniões com líderes de estado, Justin Trudeau, do Canadá, e Benjamin Netanyahu, de Israel, além de ter pulado um almoço com o embaixador russo em Washington. As tradicionais agendas diárias, divulgadas pela secretaria de Estado, até agora não saíram.

Na Alemanha, ele manteve a postura que demonstrou até aqui. Em conversas paralelas à reunião do grupo, se encontrou com o enviado russo, Sergei Lavrov, com quem disse estar pronto para cooperar. No primeiro encontro entre oficiais de alto escalão dos dois governos desde a posse de Donald Trump, descrita por ambos como produtiva, Tillerson foi firme nas questões da Ucrânia e do Irã e no combate ao terrorismo. Ele  afirmou que a Rússia tem o dever de cumprir com o tratado de Minsk, sobre o andamento do cessar-fogo na Ucrânia, e que os Estados Unidos só iriam cooperar na questão caso fosse do interesse russo. 

Hoje, Tillerson deve ganhar terreno nas conversas com Lavrov quando acontece uma reunião multilateral do G20 para discutir a questão síria. Os desejos de Trump sobre o caso ainda são obscuros, mas ele já demonstrou interesse em trabalhar ao lado do ditador Bashar al-Assad, apoiado pela Rússia, na guerra contra os rebeldes e o Estado Islâmico, postura diferente daquela defendida pelos Estados Unidos até então.

Tillerson também deve sofrer pressões para descrever os planos do governo americano para a mudança climática. Inclusive para honrar os compromissos feitos pela gestão de Barack Obama no tratado de Paris, em 2015. Se há um momento para Tillerson sair de trás das cortinas, esse momento é hoje.