O futuro de Obama

Barack Obama dá hoje seu adeus oficial à Casa Branca, que já passou por reforma relâmpago para receber o presidente eleito Donald Trump. Na programação oficial, Obama sai da posse de Trump de helicóptero até uma base do exército em Maryland, de onde se despede de sua equipe de governo antes de ir para as férias em Palm Springs, Califórnia — um lugar de clima mais quente, conforme havia prometido a Michelle Obama.

Embora não seja de mistérios, Obama, agora com 55 anos, deixou pouco claro o que será da vida depois da presidência. Em junho do ano passado, ele mencionou em uma entrevista que, caso não tivesse entrado na vida política, teria aberto um negócio ou uma firma de capitais, trabalhando no setor privado. “As conversas que tenho com executivos do Vale do Silício juntam meu interesse em ciência e organização de uma maneira que sempre achei interessante”, afirmou. 

Em sua última coletiva, o presidente afirmou que planeja escrever, passar um tempo com a família e que deseja um pouco de silêncio. “Quero deixar de ouvir tanto a minha própria voz”. Os Obamas irão viver em uma casa em Washington, enquanto Sasha, a filha mais nova, termina o ensino médio. Embora popular e um sonho do partido Democrata, Obama afirmou que Michelle não irá ser candidata em 2018— segundo assessores, ela planeja se acostumar à nova vida e depois voltar à carreira de advogada. Conforme ele mesmo disse, Obama deve se afastar e abrir espaço para deixar Trump governar, mas irá se manifestar sempre que “perceber que os valores chave dos Estados Unidos estão sob ameaça”.

Segundo uma estimativa do site FiveThirtyEight, do estatístico Nate Silver, há uma correlação entre a aprovação final dos presidentes pós-Segunda Guerra Mundial e a lembrança deles pela história recente. Com cerca de 60% de aprovação, Obama deve ficar entre os cinco mais bem cotados do passado recente. Ele se despediu dos americanos da mesma maneira que se apresentou, com uma mensagem de esperança e de resiliência. Será lembrado por mais do que isso.