O Equador vai às urnas

O Equador vai às urnas no domingo decidir o fim ou a continuidade das políticas de Rafael Correa. No primeiro turno, realizado no dia 19 de fevereiro, o socialista da Aliança PAIS (Pátria Ativa e Soberana), Lenín Moreno, ex-vice-presidente do atual mandatário, Rafael Correa, teve 39% dos votos, pouco abaixo dos 40% necessários para levar em primeiro turno.

O resultado elevou expectativas sobre o candidato de centro-direita Guillermo Lasso, um ex-banqueiro liberal-conservador, que, embora tenha ficado mais de 10 pontos percentuais atrás de Moreno no primeiro turno, continua de pé na disputa. Uma pesquisa feita na semana passada aponta que Moreno tem 52% das intenções de voto, ante 48% para Lasso.

Os eleitores, claro, estão preocupados com a economia. A Revolução dos Cidadãos de Correa reescreveu a constituição, aumentou os gastos do governo e também o salário mínimo. Mas a economia está enfraquecida e depende fortemente do petróleo, cujos preços estão em baixa. O país está em uma recessão e o mercado local está descrente e inseguro. É esperado um recuo de 2,7% no PIB do Equador ao final deste ano, de acordo com dados do FMI.

Além de Rafael Correa no Equador, há 10 anos, o continente viu a ascensão de Evo Morales na Bolívia, Cristina Kirchner na Argentina e Michelle Bachelet no Chile, enquanto governos como o de Hugo Chávez, na Venezuela, e Lula, aqui no Brasil, já estavam mais do que consolidados. O continente vivia o auge do desenvolvimentismo econômico e das políticas de distribuição de renda da esquerda latino-americana. Sonho derrubado em anos posteriores por desastrosas políticas de incentivo econômico e descontrole fiscal.

Hoje, Brasil, Peru e Argentina têm governos mais liberais. Bachelet luta para eleger um sucessor no Chile e Nicolás Maduro enfrenta com punho de ferro os oposicionistas na Venezuela. Qual será o destino do Equador?