O caminho da posse de Trump

Quando esta sexta-feira chegar ao fim, o improvável Donald Trump terá sido devidamente empossado como o novo presidente dos Estados Unidos. Será um dia repleto de liturgia, bem a gosto das celebrações americanas. 

A manhã começa com uma celebração religiosa e, depois, Trump e a futura primeira-dama, Melania Trump, vão até a Casa Branca, onde serão recebidos por Barack e Michelle Obama para um café-da-manhã. Depois, devem ir em um comboio até o Capitólio, cerca de 4km de distância. Lá, Trump deve jurar “solenemente executar com fé o cargo de presidente dos Estados Unidos”. A jura é tomada pelo presidente da Suprema Corte, John Roberts. Trump falará exatamente ao meio-dia de Washington, 15h em Brasília, logo após o juramento do vice Mike Pence.

Quando o novo presidente terminar seu juramento, a banda começa a tocar a conhecida música “Hail to the Chief” e 21 tiros são dados para o céu em saudação. Seguindo a tradição dos 44 que vieram antes dele, Trump irá fazer o seu discurso de posse. Essa é uma fala que, tipicamente, entra para a história americana. Abraham Lincoln pediu a união do país após a Guerra Civil; Franklin Roosevelt acalmou os ânimos de uma América assustada pela crise de 1929; John Kennedy pediu que a população refletisse o que pode fazer pelo governo; Barack Obama pediu e prometeu otimismo.

Segundo assessores, o discurso foi totalmente redigido por Trump e deve ressoar um pouco as palavras da noite de vitória. Ele deve pedir, veja só, pela unidade da nação, um tema que outros antes dele já abordaram. Depois de uma campanha raivosa contra as mais variadas minorias, seria uma mudança e tanto de tom.

Depois, Trump e o vice, Mike Pence, seguem para um almoço, com pratos típicos do estado do presidente, Nova York. À noite, participam de três bailes oficiais de recepção. O novo presidente já anunciou que só começa a trabalhar na segunda-feira, para não misturar celebração com dever — segundo ele, a primeira medida é aumentar a força nas fronteiras. Trump assume como o que sempre foi: uma incógnita.