A queda de braço do petróleo

A queda livre do preço do petróleo deve continuar ao longo de 2016. Nesta segunda-feira, o recuo foi de 5%, para 40 dólares. Em um ano, o preço despencou 60%. No domingo, os países produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não chegaram a um consenso sobre reduzir a produção, uma estratégia pensada para subir o preço na marra.

O problema é fazer países com agendas tão distintas, muitos deles rivais ferrenhos, chegarem a qualquer conclusão. A Opep, que reúne países como Irã, Iraque e Arábia Saudita, já não consegue regular o mercado mundial. “Essa reunião da Opep só confirmou que o cartel está desmantelado. Uma organização que foi criada para maximizar os lucros dos países produtores, agora, precisa lidar com a concorrência”, afirma Adriano Pires, analista de energia do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Irã e Arábia Saudita, dois dos sete maiores produtores, não se entendem. A Arábia Saudita continua se negando a controlar sua produção – que se mantém estável em cerca de 11 bilhões de barris ao ano há mais de uma década. O Irã fechou em 2015 um acordo para voltar a exportar para o ocidente, e já aumentou sua produção de 2,8 para 3,5 milhões de barris por dia.

A corrida é para derrubar ainda mais os preços e tirar concorrentes menos eficientes, como os Estados Unidos – e o Brasil – do jogo. Na Arábia Saudita, o custo de extração é de meros 5 dólares. A derrocada dos preços provocou um rombo de 98 bilhões de dólares no orçamento do país. Em 2016, a queda deve ser de 87 bilhões.

Dinheiro nunca foi problema para os sauditas. O que é péssima notícia para os concorrentes, e ótima para os consumidores. Menos para os brasileiros – por aqui, derrubar o preço da gasolina é um dos grandes tabus do governo em 2016. Até agora, nada.