Número 2 da Santa Sé será testemunha em caso “Vatileaks 2”

Da mesma forma, será ouvido o responsável pelas obras de caridade, o arcebispo polonês Konrad Krajewski

Os advogados dos acusados no julgamento “Vatileaks 2” sobre o vazamento de documentos do Vaticano conseguiram nesta segunda-feira que o número dois da Santa Sé e outros prelados próximos ao papa fossem ouvidos durante uma nova audiência processual.

Apesar do que havia sido anunciado, dois dos cinco acusados neste julgamento, o padre espanhol Lucio Anjo Vallejo Balda e a consultora italiana Francesca Chaouqui, não foram interrogados nesta audiência que terminou ao meio-dia.

Segundo o grupo de jornalistas autorizado a assistir a esta audiência, o pequeno tribunal aceitou o pedido do advogado de Chaouqui de convocar o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado e número dois da Santa Sé, e Santos Abril y Castello, arcipreste da Basílica de Santa Maria Maior, duas figuras próximas do papa Francisco.

Da mesma forma, será ouvido o responsável pelas obras de caridade, o arcebispo polonês Konrad Krajewski.

Chaouqui, uma bela e jovem consultora de comunicações, espera conseguir desses testemunhos as provas de que manteve uma relação honesta de trabalho com Vallejo Balda.

Para este último, porém, Chaouqui é uma perigosa manipuladora que o seduziu e obrigou a divulgar os documentos confidenciais em causa.

“Eu nunca agi contra o Santo Padre”, assegurou nesta segunda-feira a jovem a repórteres.

Nesta terceira sessão do julgamento iniciado em 24 de novembro, os cinco réus estavam presentes: Mgr Vallejo Balda, único detido no Vaticano, Chaouqui, Nicola Maio – colaborador do prelado espanhol – e os jornalistas italianos Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, autores dos livros “Caminho da Cruz” e “Avarizia” (avareza).

Todos eles enfrentam penas de quatro a oito anos de prisão.

Vallejo Balda e Chaouqui fizeram parte da antiga Comissão de Especialistas COSEA nomeada pelo papa Francisco para fazer propostas de reformas sobre as finanças e a economia do Vaticano.

Eles são acusados de vazar documentos confidenciais da comissão aos jornalistas Nuzzi e Fittipaldi. Os documentos revelam a persistência das deficiências e irregularidades no Vaticano.

A defesa de Chaouqui tentou, em vão, argumentar que o crime de que é acusada – divulgação de documentos confidenciais – foi cometido em território italiano, portanto, fora da jurisdição da justiça do Vaticano. E pediu em vão que Chaouqui fosse julgada na Itália como “refugiada política”.

A defesa de Balda obteve um laudo psiquiátrico, realizado antes do julgamento, revelando sua fraqueza mental e, portanto, sua propensão a ser influenciado, que deve ser considerado pelo tribunal.

O novo escândalo de vazamentos de documentos confidenciais do Vaticano é o segundo depois do ocorrido em 2012 na comitiva de Bento XVI, apelidado de “Vatileaks”. Ele afeta indiretamente o papa Francisco, engajado em uma difícil reforma da Cúria e determinado a continuar com sua luta contra a corrupção.