Novo “primeiro-ministro” do Vaticano assume o cargo

A nomeação de Parolin, embaixador do Vaticano na Venezuela desde 2009, foi recebida favoravelmente

Vaticano – O novo secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, 58 anos e ex-núncio na Venezuela, foi investido nesta terça-feira em seu posto, mas, para surpresa geral, ele não participou da cerimônia em função de uma pequena cirurgia a qual foi submetido.

“Damos as boas-vindas ao monsenhor Parolin, mesmo que esteja ausente. Ele tomará posse de seu novo cargo dentro de poucas semanas devido a uma pequena cirurgia a qual teve de se submeter”, anunciou o Papa Francisco, que falava na presença do cardeal Tarcisio Bertone, a quem Parolin substitui.

Segundo o Vaticano, o ex-núncio da Venezuela se submeteu a uma cirurgia em um hospital de Veneza. O motivo da cirurgia não foi revelado.

Francisco disse ainda que Parolin “conhece muito bem a família da Secretaria de Estado, onde trabalhou por muitos anos com paixão e habilidade, e com o espírito de diálogo e humanidade que são as suas características”.

Monsenhor Pietro Parolin, o novo “primeiro-ministro” e número 2 do Vaticano, colaborará com o Papa na tarefa de reformar a Igreja e seu governo, a Cúria.

A nomeação de Parolin, embaixador do Vaticano na Venezuela desde 2009, foi recebida favoravelmente. Ele é considerado um homem modesto, acessível, aberto e competente.


Terá menos poder que seus predecessores, já que se encarregará, principalmente, da diplomacia vaticana.

“É uma grande escolha, um homem eficiente, bom negociador, muito equilibrado”, declarou o monsenhor Jean-Louis Tauran, atual ministro para o diálogo interreligioso e antigo chefe diplomático de João Paulo II.

Segundo fontes internas, Parolin deverá compartilhar o cargo com o “moderator Curiae”, um coordenador entre os vários ministérios da Cúria Romana, um cargo que não foi criado, mas que o pontífice está delineando.

A posse de Parolin marca o início de uma nova era no Vaticano e do pontificado de Francisco, que deseja colocar em andamento a reforma da Cúria Romana.

Designado em agosto para o cargo, o novo número dois da Santa Sé surpreendeu por suas declarações sobre o celibato, ao afirmar que não é um dogma, e pela facilidade de acesso à imprensa.

Francisco, que respeita a tradição de que o Papa estrangeiro nomeia um italiano como braço direito, também aposta em favorecer o diálogo direto com sua equipe de trabalho.

A saída de Bertone, um salesiano sem experiência na gestão de assuntos diplomáticos e que está prestes a completar 79 anos, acontece após uma série de escândalos que atingiram a Igreja Católica nos últimos anos: pedofilia, Vatileaks e reforma das finanças do Vaticano.

Sua gestão foi marcada por rivalidades e intrigas nas altas esferas do Vaticano. Ele foi acusado de erros de administração, favoritismo e de adotar decisões questionáveis, embora sua honestidade nunca tenha sido colocada em xeque.


Apesar das acusações, Bento XVI o manteve até o fim em seu cargo.

Poliglota, considerado particularmente jovem para este posto, ele nasceu na região de Veneto, no nordeste da Itália. Seu pai era o dono de uma loja de ferragens e sua mãe era professora.

Ordenado sacerdote em abril de 1980, o padre Pietro Parolin estudou na Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma e em 1983 entrou para a Academia Pontifícia Eclesiástica, encarregada de formar o corpo diplomático da Santa Sé.

Seu primeiro cargo foi na Nigéria (de 1986 a 1989) e depois esteve no México, até novembro de 1992, quando o papa João Paulo II o nomeou para o posto de vice-secretário para as relações com o Estado, verdadeiro “número três” da diplomacia vaticana.

Na Secretaria de Estado, esteve a cargo das relações com os Estados, entre eles Espanha, Andorra, Itália e a República de San Marino.

O novo secretário de Estado do Vaticano trabalhou em vários assuntos delicados, como as relações com a China comunista, Vietnã e Israel.

Depois de passar pouco menos de sete anos a serviço dos secretários de Estado Angelo Sodano e Tarcisio Bertone, Bento XVI o nomeou em agosto de 2009 como núncio apostólico na Venezuela.

Bispo desde 2009, sua gestão das relações com a Venezuela estiveram marcadas pelas tensões entre o episcopado venezuelano e o governo de Hugo Chávez, falecido em março passado.