Novo Congresso dos EUA pode ter velha aparência após eleição

A apenas três dias da votação, a previsão é que os democratas barrem o avanço dos republicanos no Senado, com a possibilidade também de que haja um empate na Casa

Washington - Nos últimos dois anos o Congresso dos <a href="https://exame.abril.com.br/topicos/estados-unidos"><strong>Estados Unidos</strong></a> alcançou níveis mais altos de desaprovação popular, mas mesmo assim não se espera nenhuma grande renovação do Senado ou da Câmara dos Deputados na eleição geral da terça-feira.</p>

A apenas três dias da votação, a previsão é que os democratas barrem o avanço dos republicanos no Senado, com a possibilidade também de que haja um empate na Casa, hoje dominada pelos democratas.

O mais provável vencedor será o status quo, já que nem democratas nem republicanos estão a ponto de conquistar a supermaioria necessária para aprovar leis com rapidez, o que deixará cada partido com a capacidade de bloquear praticamente qualquer coisa que desejarem.

Em conjunto com uma Câmara dos Deputados que deve permanecer nas mãos dos republicanos, o Congresso que tomará posse em janeiro, e terá de enfrentar as controvérsias fiscais e um orçamento assustador, poderá parecer bastante igual à legislatura atual, profundamente dividida.

Se terá mais sucesso desempenhando suas responsabilidades básicas é uma questão para se ver. Estudiosos do Congresso costumam qualificar a composição atual como uma das menos produtivas – e mais destrutivas – da história moderna do país.

O Congresso falhou no cumprimento de sua tarefa mais fundamental de designar fundos para o governo, a não ser com finalidade temporária. O embate de 2011 entre democratas e republicanos sobre o teto do endividamento público resultou na deterioração da imagem do governo dos EUA para obter créditos.


Em troca, o nível de desaprovação pública ao Congresso atingiu níveis recordes. Em agosto, pesquisa do Gallup registrou o índice mais baixo de aprovação, de 10 por cento.

Os democratas têm a maioria das cadeiras no Senado desde 2007. Por muitos meses demonstraram confiança de que manteriam sua margem de 53 a 47 nas eleições de terça-feira, quando será renovado um terço das 100 cadeiras da Casa.

Seu otimismo foi impulsionado pelo que muitos consideram erros dos republicanos este ano. O mau desempenho do candidato presidencial republicano, Mitt Romney, no começo do ano, se aliou à percepção de que alguns candidatos, como o ativista Richard Mourdock, do Tea Party, no Estado de Indiana, seriam muito conservadores para seus estados.

Mourdock está agora 11 pontos atrás do candidato democrata no Estado, segundo pesquisa Howey-DePauw, o que é um forte sinal de que os republicanos perderão uma cadeira conquistada pela primeira vez em 1976 por um de seus poucos moderados restantes, o senador Richard Lugar.

Alguns candidatos republicanos podem ter afastado os eleitores com seus comentários inflamados durante a campanha. A declaração de Todd Akin sobre “estupro legitimo” complicou o que era considerado uma vitória certa contra o atual senadora democrata Claire McCaskill, no Missouri.