Novo capítulo: Trump vs. montadoras

Donald Trump começou a presidência chutando a porta da Casa Branca. Ontem, o mais novo presidente americano começou o primeiro dia de escritório assinando um conjunto de três decretos que causaram polêmica. Ele saiu do Acordo Transpacífico (TPP), principal tratado comercial fechado por seu antecessor, Barack Obama; implementou um congelamento nas contratações de funcionários federais, à exceção do exército; e restringiu fundos financeiros para grupos que apoiam ou promovem o aborto.

Em coletiva de imprensa na tarde de segunda-feira, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, afirmou que Trump toma café-da-manhã hoje com os presidentes das principais fabricantes de carros nos Estados Unidos — entre eles General Motors, Ford e Fiat Chrysler. O intuito do encontro é claro: convencer as indústrias automotivas a investir nos Estados Unidos em prol de trazer os empregos de volta, principalmente para as regiões industriais antigas no nordeste americano — grandes responsáveis pela vitória do republicano em novembro passado.

Pessoalmente ou pelo Twitter, não foram poucas as vezes que Trump criticou, e ameaçou com taxas de importação de 35%, as indústrias que fabricam carros no México, ou em qualquer outro lugar. No começo de janeiro, a Ford abandonou planos de investir 1,6 bilhão de dólares no México para investir 700 milhões de dólares em uma fábrica no Michigan. Na semana passada, a GM disse que iria investir 1 bilhão de dólares adicionais no país, e a Fiat Chrysler afirmou que deve desembolsar quantia semelhante para modernizar duas fábricas no meio-oeste e gerar 2.000 novos postos de trabalho.

Trump se vangloria há semanas pelas decisões das montadoras, como resultado de seu plano dando certo. Trump vem fazendo o que prometeu em toda a campanha. A reunião de hoje, a primeira de um presidente com os líderes das três maiores montadoras desde 2011, é mais uma promessa materializada. Sua cartilha política foi vista como desastrosa por especialistas e economistas. A ver onde o cumprimento dessa cartilha irá levar o governo.