Nova York festeja campeãs mundiais com pedidos de igualdade salarial

Seleção feminina dos EUA está pedindo à Federação Americana de Futebol, na justiça, que as jogadoras sejam pagas da mesma maneira que os homens

Entre gritos de “USA”, apelos pela igualdade salarial e sob uma chuva de papel picado, a seleção feminina de futebol dos Estados Unidos, campeã do mundo pela quarta vez, foi recebida com festa nesta quarta-feira por milhares de pessoas em um desfile em Nova York.

“Igualdade salarial!”, gritava a multidão às jogadoras, sendo que um dos caminhões carregava um grande letreiro onde se lia “Os desfiles são maravilhosos, mas a igualdade salarial é mais maravilhosa ainda”.

“Quero ouvir vocês: USA! Igualdade de salários!”, gritava também para a multidão o prefeito de Blasio.

A seleção, festejada em todo o país, se tornou também uma grande defensora da igualdade salarial entre homens e mulheres, um assunto que ganha força na era do #MeToo.

A seleção feminina está pedindo à Federação Americana de Futebol na justiça que as jogadoras sejam pagas da mesma maneira que os homens.

Na semana passada, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, propôs o dobro do orçamento destinado às jogadoras na próxima Copa do Mundo feminina, que foi de 30 milhões de dólares este ano, bem abaixo dos 400 milhões para o mundial masculino de 2018.

“Ver todas estas meninas gritando ‘igualdade salarial!’ é realmente incrível”, disse encantada Bianca Sherr, uma torcedora que vestia a camisa branca da seleção. O desfile, que durou cerca de uma hora, é uma tradição de 130 anos de Nova York para homenagear grandes personalidades.

Comemoração

As jogadoras, que vestiam camisetas pretas idênticas com a inscrição “Campeãs do mundo” em dourado, saudaram a multidão em um desfile em carro aberto pelas ruas do sul da cidade, desde o Battery Park até a prefeitura.

Descontraídas e sorridentes, algumas se aproximaram do público e assinaram camisetas e capas de celulares. Na manhã ensolarada de verão, os funcionários dos arranha-céus por onde as campeãs passavam atiraram papel picado para homenageá-las.

A jogadora mais conhecida da equipe, Megan Rapinoe, reproduziu durante o desfile a icônica pose da comemoração de seus gols e que repetiu quando recebeu o troféu da Copa do Mundo. “Esta equipe é tão forte, tão dura, tem tanto senso de humor, é tão fantástica”, disse Rapinoe à multidão reunida na prefeitura.

“Temos o cabelo rosa e violeta. Temos tatuagens, cabelos rastas. Tem meninas brancas, negras e tudo no meio. Meninas heterossexuais e gays”, acrescentou. “Megan para presidente”, dizia o cartaz de um fã, Jeff Strong.

A equipe voltou da França na segunda-feira, 24 horas depois de vencer a Holanda na final por 2 a 0, conquistando assim sua quarta Copa do Mundo (1991, 1999, 2015 e 2019), um recorde histórico.

As camisas com as quatro estrelas não param de ser vendidas. Segundo a Nike, que veste a seleção americana, a camisa branca da equipe bateu um recorde mundial de vendas em uma temporada no site oficial da marca (mais do que qualquer clube ou seleção nacional masculinos ou femininos).

“Adoro a personalidade e a impressão que deixam juntas no campo”, disse à AFP Gracie Taylor, uma menina que participou do desfile com seu pai.

“Para estas meninas, ter um modelo, ver as jogadoras na televisão fazendo grandes coisas ou estar aqui é algo enorme”, avaliou Scott Neverett, ex-jogador de futebol na universidade, que assistiu ao desfile com sua filha Olivia.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, pré-candidato democrata à presidência dos EUA nas eleições de 2020, se juntou às jogadoras no desfile, e em seguida foi o anfitrião na prefeitura, onde entregou a elas as chaves da cidade.

Nos próximos meses a seleção nacional feminina de futebol vai percorrer várias cidades do país, começando mais tarde nesta quarta-feira por Los Angeles para participar da versão esportiva do Oscar, os prêmios ESPYS.

A seleção vai jogar uma série de cinco amistosos internacionais em uma “Turnê da Vitória”, começando contra a Irlanda no dia 3 de agosto em Pasadena, Califórnia. Uma escala improvável nessa excursão é a Casa Branca.

Rapinoe não poupou críticas ao presidente Donald Trump, e no mês passado disse que não aceitaria um convite do mandatário para visitar a Casa Branca se a seleção feminina ganhasse a Copa do Mundo. Trump respondeu que Rapinoe deveria “primeiro ganhar antes de falar”.

“Eu não iria (à Casa Branca) e tampouco todas as companheiras de equipe com as quais conversei abertamente”, disse Rapinoe no programa “Anderson Cooper 360º” da rede CNN.