Notícias falsas e rumores alimentam protestos em Hong Kong

Protestos contra o governo local se estendem pela 23ª semana consecutiva e a violência aumenta com a desinformação

Logo após Alex Chow ter caído da beira de uma garagem em Hong Kong, rumores começaram a se espalhar pela Internet.
Postagens que circulavam em grupos de bate-papo e redes sociais alegavam que o estudante, de 22 anos, foi perseguido — e talvez até empurrado — pela polícia que estava dispersando manifestantes com gás lacrimogêneo nos arredores.

Os policiais teriam impedido que uma ambulância chegasse até Chow, alegaram os posts, adiando a ajuda que poderia ter salvado sua vida.

Não importa que as alegações não tenham fundamento, que a polícia tenha negado que perseguiu Chow e que os principais veículos de notícias, como o South China Morning Post, tenha descrito as circunstâncias de sua queda como incertas. Centenas de manifestantes usaram sua morte no dia 8 de novembro como motivo para enfrentar a polícia, o que resultou em uma pessoa sendo baleada na segunda-feira.

Enquanto os protestos contra o governo de Hong Kong se estendem pela 23ª semana consecutiva, a cidade é inundada com rumores on-line, notícias falsas e propaganda de ambos os lados da divisão política. A retórica polarizadora alimenta a desconfiança e a violência, dificultando a solução da crise que mergulhou Hong Kong em uma recessão e levantou dúvidas sobre o papel da cidade como principal centro financeiro da Ásia.

“As informações falsas são alimentadas para polarizar a opinião pública”, disse Masato Kajimoto, professor assistente do Centro de Estudos de Jornalismo e Mídia da Universidade de Hong Kong, que passou os últimos sete anos estudando notícias falsas. “Receio que chegue a um ponto em que a reconciliação dessa divisão não seja mais possível.”

Embora a disseminação da desinformação tenha se tornado uma preocupação crescente em todo o mundo, poucos lugares foram afetados nas últimas semanas como Hong Kong. Somente nas últimas 24 horas, as autoridades locais negaram rumores de que teriam ordenado que a polícia disparasse contra os manifestantes à vontade; planejado limitar os saques dos bancos; e que usaria forças de emergência para fechar mercados financeiros e escolas. Depois de um dos dias mais violentos desde que os protestos começaram em junho, a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, instou os cidadãos a “manter a calma e ver os fatos”.