Netanyahu reafirma oposição ao Estado “binacional” de Israel

Primeiro-ministro israelense liderou uma ferrenha defesa da criticada lei de nacionalidade proposta por quatro deputados ultranacionalistas

Jerusalém – O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reafirmou nesta quarta-feira sua oposição a um Estado binacional, ao mesmo tempo em que manteve sua defesa da controvertida lei de nacionalidade, que define Israel como “Estado judeu”.

Em uma turbulenta sessão realizada hoje no parlamento israelense, Netanyahu afirmou “opor-se a um Estado binacional. Israel é o estado-nação do povo judeu e só do povo judeu”, segundo informou o site do jornal “Yedioth Ahronoth”.

Durante o debate orientado em princípio para debater o custo da vida, Netanyahu liderou uma ferrenha defesa da criticada lei de nacionalidade proposta por quatro deputados ultranacionalistas e apoiada no domingo passado pelo gabinete do governo israelense, que ainda deve ser aprovada no seio da câmara.

“Israel é o lugar de nascimento histórico do povo judeu e onde estabelecemos nosso estado”, ressaltou o primeiro-ministro.

“O direito a conseguir a autodeterminação do Estado de Israel é exclusivo dos judeus. O Estado de Israel é um estado democrático e fiador dos direitos pessoais de todos os cidadãos perante a lei”, continuou perante as críticas e inclusive o abandono da sala de alguns deputados.

“Aqueles que louvem os assassinos, chamando-os de mártires e incitem ou cometam atos de terrorismo, não receberão cobertura nacional”, advertiu Netanyahu.

Por sua parte, o líder da oposição, Isaac Herzog, lamentou a situação na qual se encontra o país como resultado das políticas do governo e acusou Netanyahu de desviar a atenção para não enfrentar a realidade.

“É uma lástima que o primeiro-ministro não mencione o custo da vida. Certamente, é sua nova tática: camuflar os problemas reais dos cidadãos e concentrar-se em um discurso de ódio”, comentou Herzog durante seu discurso.

A questionada lei de nacionalidade define Israel como “Estado judeu” acima de sua tipificação atual como “Estado democrático”, o que, por sua vez, daria prioridade à antiga lei mosaica como fonte de inspiração legislativa e define o hebraico como única língua oficial do país, em detrimento do árabe.