Neta de ex-presidente acusa ministro de Macron de estupro

Hulot, ex-astro de um programa de TV francês, é um dos integrantes mais populares do governo do atual presidente da França

A neta do ex-presidente francês François Mitterrand confirmou nesta sexta-feira (9), por meio de seu advogado, ter apresentado uma denúncia de estupro em 2008 contra o atual ministro da Ecologia, Nicolas Hulot, um caso que foi arquivado, sem prosseguimento.

Hulot, ex-astro de um programa de TV francês, é um dos integrantes mais populares do governo do atual presidente da França, Emmanuel Macron. Na quinta-feira, Hulot desmentiu os boatos “infames” que circulavam contra ele sobre assédio sexual, um dia antes de a revista Ebdo publicar um artigo questionando-o.

No entanto, ele admitiu a existência de uma denúncia apresentada em 2008 e arquivada “sem acompanhamento”, embora não tenha especificado o motivo da ação.

Foi o jornal Le Parisien que revelou a identidade da denunciante, Pascale Miterrand, neta do ex-presidente socialista, falecido em 1996.

O advogado de Pascale Miterrand afirmou, no entanto, que sua cliente “nunca quis midiatizar” o caso.

“O nome de Pascale Miterrand se associou contra seu consentimento a uma tempestade midiática contra Nicolas Hulot. Nem ela, nem sua família apoiam de nenhuma forma a publicidade” dada a este caso, lamentou Michel Dufranc em um comunicado.

A procuradora da República em Saint-Malo (oeste), Christine Le Crom, confirmou na quinta-feira que foi apresentada em 2008 uma denúncia por “um fato de estupro”, que foi arquivada sem prosseguimento, por atos ocorridos em 1997, quando Pascale Mitterrand tinha 20 anos e Nicolas Hulot, 42.

No comunicado, Pascale Mitterrand destaca que, desde que apresentou a denúncia, não “a reativou de forma alguma, nem perante seu protagonista, nem perante ninguém”.

O semanário Ebdo também dá conta, em seu artigo, de uma acusação de assédio sexual contra Hulot de parte de uma colaboradora da fundação do ministro.

O titular de Ecologia a rechaçou também categoricamente e a fundação assegurou não ter tido “conhecimento de nenhuma atuação repreensível ou conduta inapropriada” por sua vez. Na revista, a interessada desmente “completamente” qualquer vínculo com Hulot.

A Ebdo justificou a publicação de seu artigo pela importância das funções de Hulot e a obrigação de por fim à “cultura de impunidade”, no rastro do escândalo Weinstein nos Estados Unidos.