Nem Obama, nem Romney, a arma da campanha se chama Michelle

A primeira-dama dos Estados Unidos desbanca em popularidade os dois candidatos à Presidência

Washington – Michelle Obama desbanca em popularidade tanto o candidato republicano, Mitt Romney, quanto seu marido, o democrata Barack Obama, cujos assessores encontraram nela uma poderosa arma eleitoral.

Isso explica, provavelmente, o papel central que a primeira-dama americana terá durante a convenção democrata no início de setembro na Carolina do Norte e sua intensa turnê eleitoral pelo país: foram oito atos em três estados somente na última semana.

“A primeira-dama é uma pessoa que nunca pediu para estar na cena pública e nunca quis fazer parte dela, mas agora se sente mais confortável para isso”, afirmou em entrevista recente, David Axelrod, assessor de campanha de Obama.

Michelle Obama foi duramente criticada na campanha presidencial de 2008, mas conquistou a opinião pública, pois se manteve à margem de assuntos polêmicos e se concentrou em causas como a luta contra a obesidade e a ajuda às famílias dos militares.

A opinião pública respalda sua “missão”. Algumas pesquisas indicam Michelle com popularidade maior que seu marido.

Segundo o instituto Gallup, Michelle Obama mantém uma popularidade média dos 66% desde 2010, acima dos 47% de Barack Obama e Romney, segundo o site “RealClearPolitics”. A campanha de Obama não quer desperdiçar esse potencial.

“A primeira-dama pode ter um papel único como embaixadora do presidente” afirmou Jim Messina – diretor de campanha de Obama – no final do mês passado em entrevista à rede de televisão “CBS”.

Os republicanos sabem e reconhecem tal fato. “Michelle Obama é intocável nestes momentos, politicamente” disse Matt Mackowiank – estrategista do partido republicano – em declarações recentes ao jornal “The Hill”.

Já entre os republicanos, Ann Romney – de 63 anos, esposa de Mitt, mãe de cinco filhos e avó de 18 netos – não está fazendo um mau papel. Possui blog e Twitter próprios e, segundo pesquisa recente do “Pew Research Center”, possui 30% de popularidade, embora seja considerada “menos visível” que a esposa do candidato democrata.


Além dos comícios em que participa ao redor de todo o país, Michelle também toma parte em uma nova iniciativa democrata (“It Takes One”), na qual pede aos eleitores de Obama que recrutem um amigo, parente ou vizinho na campanha de reeleição.

Em uma propaganda de TV, a primeira-dama conta sorridente, enquanto aparecem na tela fotos dela e Obama durante a juventude, como começaram a conseguir apoio junto de alguns amigos na primeira campanha de Obama para o senado.

Anúncios deste tipo deixaram para trás a imagem de uma Michelle distante e fria. Durante as eleições presidenciais de 2008, comentaristas conservadores como Bill O”Reilly disseram que ela parecia uma “mulher facilmente irritável”.

Michelle Obama foi atacada também em 2008 pelos comentários que fez em um evento de campanha no qual disse que pela primeira vez se sentia “orgulhosa” de seu país, ao ver seu marido, o primeiro afro-americano que chegou à Presidência, como candidato. Os republicanos usaram tal fato para acusá-la de antipatriotismo.

Pode ser que as críticas fizessem com que a advogada de 48 anos fosse reticente, em um primeiro momento, aos atos públicos assim que assumiu o posto de primeira-dama.

A popularidade de Michelle vai tão longe que até os seus biscoitos com raspas de chocolate tiveram mais votos que os de M&Ms e manteiga de amendoim de Ann Romney, em um tradicional concurso entre as esposas dos candidatos.