Nem o futebol escapa da corrupção no Brasil, diz Financial Times

Jornal britânico destaca que a presidente Dilma tem se mostrado “cada vez mais disposta” a demitir ministros corruptos

São Paulo – Os escândalos recentes envolvendo o esporte mais adorado pelos brasileiros – o futebol – devem culminar no aumento da indignação do povo brasileiro em relação à corrupção, principalmente pelo fato de que o país irá sediar a Copa do Mundo de 2014, destaca nesta sexta-feira a reportagem do jornal britânico Financial Times.

O ministro do Esporte, Orlando Silva, é acusado de ter recebido dinheiro em troca de verbas governamentais para organizações esportivas. Do outro lado, Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), é investigado por conta de alegações de corrupção vinculadas às relações dele com o esporte.

Embora os inquéritos ainda estejam em curso, a reportagem do Financial Times destaca que as denúncias estão elevando a indignação da população brasileira com a corrupção no país e, por conta disso, a presidente Dilma Rousseff estaria disposta a realizar mais demissões para combater aqueles que afetam a imagem de seu governo.

O jornal britânico destaca que, em menos de dez meses de poder, Dilma já perdeu quatro ministros acusados de envolvimento com corrupção ou escândalos éticos: “uma quantidade sem precedentes em se tratando dos primeiros meses de um governo brasileiro”, destaca um trecho da reportagem.

“Ao contrário de presidentes do passado, que poderiam ter demorado mais a tomar decisões contra ministros acusados, ela tem se mostrado cada vez mais disposta a demiti-los”, completa.

O Financial Times afirma que “a sensação popular de que a corrupção está enraizada em Brasília” aumentou, o que justifica os protestos realizados na capital brasileira e em São Paulo, onde os manifestantes pediram pelo fim da corrupção.

O periódico ainda considera que a presidente Dilma terá “uma boa desculpa para substituir Orlando Silva por um burocrata mais capaz”, o que é um fator positivo, já que as obras para a Copa do Mundo estão atrasadas e os custos não param de aumentar.