Negociações para formar governo na Tunísia são retomadas

Foi identificado o suposto autor do assassinato de Chokri Belaid, que aprofundou a crise política no país

Túnis – O ministro tunisiano do Interior, Ali Larayedh, prosseguia nesta terça-feira com as consultas para formar um novo governo, ao mesmo tempo que anunciou a identificação do suposto autor do assassinato de Chokri Belaid, que aprofundou a crise política no país.

Larayedh recebeu nesta terça-feira os dirigentes do Partido Republicano (oposição laica). Na segunda-feira teve um encontro com Beji Caid Essebsi, ex-primeiro-ministro pós-revolução e líder do movimento opositor Nidaa Tunes.

O ministro anunciou ainda que o suposto assassino do opositor anti-islamita Chokri Belaid foi identificado, mas continua foragido, e quatro cúmplices, pertencentes a um grupo religioso radical, foram detidos.

“O homem que o matou foi identificado e está sendo perseguido”, declarou o ministro em uma entrevista coletiva.

“Quatro suspeitos foram detidos. Pertencem a uma corrente religiosa radical”, completou o ministro, em referência aos cúmplices.

O assassinato de Chokri Belaid no dia 6 de fevereiro levou a Tunísia a uma grave crise política, alimentada pelo bloqueio a respeito da redação da nova Constituição.


Para atenuar a crise, o primeiro-ministro Hamadi Jebali propôs a formação de um governo tecnocrático. Mas diante da firme oposição de seu próprio partido, o islamita Ennahda, acabou anunciando a renúncia.

Ali Larayedh, também membro do Ennahda, foi nomeado sucessor e tem até 8 de março para formar um novo gabinete.

Em reação às informações da imprensa sobre possível detenção do assassino de Belaid, sua viúva, Besma Jalfaui, destacou que deseja saber quem encomendou o crime.

“É bom saber quem executou, mas é muito importante saber quem o ordenou, como aconteceu, porque foi um crime muito organizado”, disse.

O irmão do opositor, Abdelmajid Belaid, acusou mais uma vez o partido islamita no poder.

“O Ennahda deu luz verde para a morte do meu irmão”, disse à AFP.