Navio de imigrantes Lifeline poderá atracar em Malta

O chefe de governo italiano afirmou que parte dos imigrantes será recebido pela Itália, depois de esperar uma semana para ser recebido em um porto

Depois de esperar uma semana para ser recebido em um porto, o navio humanitário “Lifeline” poderá, enfim, acostar em Malta, e uma parte dos 233 imigrantes a bordo será recebida pela Itália – anunciou nesta terça-feira (26) o chefe de governo italiano, Giuseppe Conte.

“Acabo de falar com o presidente (maltês) Muscat no telefone: o navio da ONG ‘Lifeline’ vai acostar em Malta”, declarou Conte em um comunicado, acrescentando que “a Itália vai acolher uma parte dos migrantes”.

“Acertamos com o presidente maltês que o navio será submetido a uma investigação para determinar sua nacionalidade efetiva e o respeito das regras do Direito Internacional por parte da tripulação”, acrescentou.

Conte não especificou quando o navio será autorizado a atracar em Malta, nem quantos imigrantes a Itália vai acolher.

“Para as mulheres e crianças que realmente fogem da guerra, as portas estão abertas. Para todos os outros, não!”, tuitou o ministro italiano do Interior, o ultraconservador Matteo Salvini.

Questionada pela AFP, uma fonte ligada ao governo maltês disse que o país “vai autorizar o desembarque apenas depois que os Estados-membros confirmarem que assumirão sua cota de imigrantes”.

“Há muita informação circulando, muitos comunicados, mas nossa situação atual é que o navio não tem qualquer informação”, criticou Erik Marquardt, porta-voz da ONG alemã Lifeline, que fretou o navio de mesmo nome.

Mais cedo nesta terça, o porta-voz do governo francês, Benjamin Griveaux, havia dito que uma “solução europeia” parecia se desenhar para o navio. “Será um desembarque em Malta”, comentou, em entrevista à rádio RTL.

Em conversa com a AFP, um porta-voz do governo maltês havia evocado “discussões em curso”, iniciadas no fim de semana. Já o primeiro-ministro maltês tuitou que as Forças Armadas retiraram uma pessoa da embarcação, durante à noite, após receberem uma chamada.

Pequena ilha mediterrânea com pouco mais de 400 mil habitantes, Malta se recusou, porém, a abrir seus portos para o navio humanitário “Aquarius”, sem imigrantes a bordo, segundo a ONG SOS Méditerranée.

O “Aquarius” seguiu, então, para Marselha para uma escala técnica, que deverá ser feita nos próximos dias, após a recusa de Malta e da impossibilidade de atracar na Itália.

Roma não parece disposta a se desviar da linha-dura estabelecida desde a chegada ao poder do governo populista em 1º de junho, formado pela Liga (extrema direita) de Matteo Salvini e pelo Movimento Cindo Estrelas (M5S, antissistema). As ONGs “cúmplices, consciente, ou inconscientemente, dos traficantes” estão proibidas de entrar nos portos italianos, reafirmou Salvini na segunda-feira.

Calor e falta de higiene

Os imigrantes do “Lifeline” enfrentavam, nesta terça-feira (26), calor e condições sanitárias que se degradam a cada dia. Há uma semana, o grupo está na expectativa, a bordo desse navio situado a cerca de 30 milhas da costa maltesa.

“A bordo não tem banheiro químico, mas três pequenos banheiros em mau estado, que todo o mundo usa. O comandante do navio abriu seu banheiro, mas apenas para as 44 mulheres e crianças e é preciso fazer uma longa fila”, escreve o jornal italiano “La Repubblica”.

Em contrapartida, 108 imigrantes conseguiram enfim desembarcar, na madrugada desta terça, em Pozzallo, na Sicília, após mais de três dias de espera em um porta-contêiner dinamarquês, o “Alexander Maersk”. A embarcação os resgatou na sexta-feira, na costa líbia.