Não há prova de que Irã parou de enriquecer urânio

Segundo diplomatas, não há informações que comprovem as declarações de um parlamentar do Irã

Viena – Diplomatas que trabalham na agência nuclear da ONU disseram nesta sexta-feira que não há informações que comprovem as declarações de um parlamentar do Irã segundo o qual seu país parou de enriquecer urânio a 20 por cento de concentração físsil, principal exigência da comunidade internacional para abrandar suas sanções.

Países ocidentais dizem que o enriquecimento a 20 por cento é um passo importante para a produção de matéria-prima para bombas atômicas. O Irã nega ter a intenção de desenvolver esse tipo de arma e diz que precisa do urânio enriquecido a 20 por cento para alimentar um reator de pesquisas médicas.

Um diplomata em Viena, onde fica a sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), disse acreditar que o Irã continua refinando urânio a 20 por cento, apesar das declarações de Hossein Naqavi Hosseini, membro da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano.

A AIEA, que regularmente inspeciona instalações nucleares iranianas, disse que não faria comentários por enquanto. Vários diplomatas de Estados membros da AIEA disseram não estar cientes da suspensão das atividades de enriquecimento no Irã.

Eles observaram que os inspetores da AIEA provavelmente visitam as usinas iranianas de enriquecimento mais ou menos a cada semana, então possivelmente ainda não sabem da suspensão se ela tiver ocorrido nos últimos dias. O próximo relatório trimestral da AIEA sobre o Irã está previsto para novembro.

Neste mês, em negociação com seis potências nucleares, o Irã sinalizou que estaria disposto a abandonar suas atividades nucleares mais delicadas em troca de um abrandamento das sanções internacionais.

Os negociadores ocidentais disseram, no entanto, que nenhuma solução para o impasse era esperada em curto prazo. A confirmação de que o Irã abandonou o enriquecimento de urânio a 20 por cento seria algo surpreendente, pois analistas previam que Teerã usaria isso como peça de barganha na nova rodada de negociação com as seis potências, nos dias 7 e 8 de novembro.

O governo do Irã não se manifestou oficialmente sobre o assunto porque a declaração de Hosseini foi divulgada na quinta-feira, que era feriado nacional, e a sexta-feira é parte do fim de semana no mundo islâmico.