Na França, guinada à direita

Com quem vai a direita francesa? Neste domingo, os franceses vão às urnas para o segundo turno das primárias do partido Republicano, escolher entre o ex-primeiro ministro Alain Juppé e o também ex-primeiro ministro François Fillon, que surpreendeu ao conseguir avançar para o segundo turno. O vencedor será o principal adversário da ultradireitista Marine Le Pen, da Frente Nacional. 

Os analistas políticos descrevem Fillon como um partidário da ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher com uma queda pela Rússia e seu presidente, Vladimir Putin. Se as pesquisas estiverem certas — e elas já erraram muito em 2016 — Fillon, que foi para o segundo turno com 44% dos votos, deve ser o indicado nas primárias, com 65% das intenções de voto ante 35% de Juppé.

Le Pen termina o ano em alta, com o Brexit no Reino Unido e Donald Trump nos Estados Unidos turbinando suas chances nas urnas. Ela defende leis migratórias mais rígidas, amplo combate ao terrorismo e até uma versão francesa da saída da União Europeia, o Frexit. As pesquisas apontam para algo em torno de 30% dos votos para Le Pen, o suficiente para levá-la ao segundo turno das eleições gerais no ano que vem. Fillon é um problema para ela. Com uma pauta bastante parecida, à exceção do Frexit, o republicano pode ser um divisor de votos em meio ao eleitorado conservador.

Do outro lado, o Partido Socialista, que atualmente ocupa a presidência com François Hollande, sofre para encontrar um candidato. Hollande poderia concorrer a um segundo mandato, mas sua popularidade de 8% dá calafrios no partido. Surgiram rumores de que o ex-ministro da Economia, Emmanuel Macron, poderia ser o indicado socialista com uma abordagem modernizadora, mas a estrutura do partido para a indicação e o programa de governo ainda são incertos. Tão incertos quanto o futuro político da França.