Na Flórida, uma eleição marcada pelos tiroteios

Nesta terça-feira acontecem eleições primárias nos estados da Flórida, Oklahoma e Arizona.

Para o padrão brasileiro, que organiza eleições de dois em dois anos sempre na mesma data, o calendário eleitoral americano é uma bagunça. Nesta terça-feira acontecem eleições primárias nos estados da Flórida, Oklahoma e Arizona. Outros tantos estados darão início a seus pleitos até novembro, quando serão renovados os poderes estaduais e de um terço do Congresso. 

Desta vez, os olhos estão voltados especialmente para a Flórida. Por lá, os americanos vão às urnas para escolher os nomeados de cada partido a competir nas eleições de novembro para procurador geral do estado, governador, sete cadeiras da Câmara dos Representantes e Senado.

O pleito é importante porque pela primeira vez será possível ver como o debate pelo controle de armas poderá afetar o estado e se os democratas conseguirão ganhar tração defendendo políticas mais rigorosas. Depois do tiroteio em massa durante um campeonato de videogame em Jacksonville no domingo, que deixou 11 feridos e dois mortos, o assunto voltou à tona no estado. Mais cedo este ano a Flórida ficou em choque com um ataque a tiros em uma escola na cidade de Parkland, que deixou 17 mortos e outros 17 feridos. O ataque em Jacksonville foi o de número 234 apenas este ano nos Estados Unidos.

Os estudantes de Parkland passaram os meses após o acidente advogando por leis de controle de armas mais rígidas e encorajando jovens eleitores a se posicionar nas eleições de novembro. Alguns dos pais fizeram campanha por candidatos democratas, que propuseram leis de armas mais rígidas. O atual governador,o republicano Rick Scott, que concorre hoje na primária para o Senado, chegou a aprovar uma lei mais rígida sobre armas no estado, rompendo com a Associação Nacional de Rifles, tradicional lobista de armas dos Estados Unidos.

É também a chance de acompanhar como está a popularidade do presidente Donald Trump entre republicanos. Na disputa para representar o partido estão Adam Putnam, o candidato do establishment, atual comissário de Agricultura da Flórida, contra o deputado Ron Desantis, que pediu e tem o apoio de Trump. Do lado democrata, quem está na frente nas pesquisas é a ex-congressista Gwen Graham, além do prefeito de Tallahassee, Andrew Gillum, um candidato mais à esquerda que recebeu o apoio de Bernie Sanders, além do ex-prefeito de Miami, Philip Levine.

A Flórida foi um dos estados divididos que deram definiram a vitória de Donald Trump em 2016. Manter o poder de influência sobre os eleitores republicanos de lá é essencial para o futuro de seu governo.