Na Argentina, Previdência é um desafio para Macri

Na última quinta-feira, manifestantes tomaram as ruas de Buenos Aires contra a medida do governo, impedindo que a pauta fosse votada no Congresso

Os parlamentares argentinos foram convocados para uma reunião de última hora, nesta segunda-feira, com o presidente Mauricio Macri. O assunto: reforma da Previdência. Na última quinta-feira, manifestantes tomaram as ruas de Buenos Aires contra a medida do governo, impedindo que a pauta, que estava sendo discutida no Congresso, fosse votada.

O protesto teve repressão violenta por parte da polícia — o governo reservou cerca de 1.500 oficiais já prevendo conflitos no dia da manifestação — e até parlamentares de oposição, que se juntaram aos manifestantes, ficaram feridos e precisaram ser atendidos na enfermaria do Congresso, um fenômeno inédito. Um porta-voz o governo chegou a chamar os kirchneristas, acusados de impedir o andamento da pauta, de arruaceiros.

Apesar do revés, Macri está mobilizado para levar a reforma adiante, e tem feito uma série de reuniões em busca de consenso. Dentre as medidas propostas está uma alteração na periodicidade dos reajustes do benefício, o que faria o governo economizar cerca de 100 bilhões de pesos argentinos no ano que vem — quase 20 bilhões de reais. Com os protestos, o governo já estuda a possibilidade de oferecer um bônus aos pensionistas, como forma de recompensar as perdas que a reforma irá acarretar.

Na última sexta-feira, o governo se reuniu com governadores para buscar soluções à resistência das ruas. A expectativa é que os deputados de cada estado já cheguem à sessão desta segunda convencidos da aprovação da pauta. Mas, assim como no Brasil, não será fácil chegar uma equação política que convença opositores, e também aliados, a aprovar uma revisão na lei de aposentadorias do país.