Na Alemanha, Dilma afirma que Lula é vítima de golpe judicial

Lula lidera as pesquisas para as eleições de 2018, mas pode ser impedido de disputar o pleito caso seja condenado em segunda instância pela Justiça

Berlim – A ex-presidente Dilma Rousseff denunciou nesta terça-feira em Berlim, na Alemanha, a existência de um golpe político-judicial conduzido pelo liberalismo latino-americano para tentar conter a volta do também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao poder nas eleições de 2018 no Brasil.

“Conheci duas formas de golpe. Primeiro, o imposto pela ditadura militar, quando não havia liberdade de expressão nem de imprensa, mas sim prisões, tortura, assassinatos e exílio”, indicou Dilma em um evento realizado na Universidade Livre de Berlim.

“Agora temos outra forma de golpe que já não precisa do Exército para destituir políticos legitimamente eleitos. São golpes classificados como políticos, parlamentares-judiciais, que não foram dirigidos a mim como pessoa, mas contra a nação e o povo brasileiros, contra os mais pobres”, disse a ex-presidente.

O objetivo desse movimento, defendeu Dilma, era acabar com a luta contra a exclusão social empreendida pelo PT nos 13 anos que o partido permaneceu no poder.

Dilma fez as declarações em um evento moderado pela ex-ministra de Justiça da Alemanha Herta Däubler-Gmelin, que ocupou o cargo entre 1998 e 2002.

A ex-presidente também denunciou o assédio judicial contra Lula, uma estratégia que, segundo ela, pretende impedir que ele volte ao poder nas próximas eleições.

“Aconteça o que acontecer, lutaremos para que Lula volte ao poder. E conseguiremos porque somos mais fortes do que os que pretendem impedi-lo”, destacou a ex-presidente.

Lula lidera as pesquisas para as eleições de 2018, mas pode ser impedido de disputar o pleito caso seja condenado em segunda instância pela Justiça. O ex-presidente já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, em primeira instância, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.

Para Dilma, a luta do PT é contra essa “nova forme de golpe” praticada pelas elites políticas, pelo monopólio da imprensa, por setores do Judiciário, além de parlamentares corruptos.

Dilma foi recebida no edifício Henry Ford da Universidade Livre de Berlim por estudantes e membros da colônia brasileira na capital alemã. O evento foi organizado pela Fundação Friedrich Ebert, ligada ao Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD).

A sala ficou lotada de cartazes contra o presidente Michel Temer e com mensagens de apoio a Dilma e Lula.

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  1. Eder Oliveira

    LULA É A DIGNIDADE DA POLÍTICA
    P B M.N (Advogado, autor de “Reflexões sobre o estudo do Direito”, 2007).

    A Política é o essencial da vida humana, razão pela qual a dignidade da Política é a própria dignidade do ser humano e a palavra é instrumento de evitar a violência.
    Partindo dessa afirmação encontro a resposta à pergunta que fiz no artigo: “Por que Lula valida a fraude judicial? “.
    Lula deixou de ser ele próprio e passou a ser todos nós, ou pelo menos todos aqueles que desejam que a Política volte a ser o caminho de gestão do bem comum e não dos interesses individuais.
    Lula representa a dignidade da Política e a humanização da interação humana, representa a defesa da liberdade, a defesa da diversidade e da pluralidade.
    No mesmo artigo perguntei ao leitor: “o que pretende Lula oferecendo-se à imolação?”.
    Lula não está a validar a fraude, nem se oferece à imolação, ele, como Sisifo, vive uma alegria silenciosa da defesa da liberdade, da verdade e da democracia, pois tem consciência do seu destino e ele [o destino] lhe pertence, ele é dono de seus dias e de suas escolhas.
    Relembrando: os deuses tinham condenado Sísifo a rolar um rochedo incessantemente até o alto de uma montanha, de onde a pedra caía de novo por seu próprio peso.
    Os deuses tinham pensado, com as suas razões, que não existiria punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança. Mas Sísifo, o herói absurdo segundo Camus, surpreende os deuses, tanto por suas paixões, como por seu tormento e desprezou os deuses, ignorou a sua finitude e as exercitou a paixão pela vida transformando seu suplício indescritível em significado, sentido, exemplo e esperança.
    Lula demonstra com alegria que o caminho é comungar com a sociedade (as caravanas representam isso).
    Lula está a levar o rochedo (democracia) para o alto da montanha e ele sabe que essa é a solução e o sentido, pois nessa ação está o reconhecimento do protagonismo do povo numa democracia que se pretende justa e generosa, uma democracia que negará sempre a democracia liberal (uma democracia dos proprietários).
    Lula que é perseguido pelos “deuses-vassalos”, tutores de interesses a serem revelados pelo Tempo, não está a validar a fraude judicial, mas está a dar sentido transcendente a tudo isso, há, pois sentido nas suas ações e no seu discurso.
    Lula também vê a pedra [democracia] desabar para esse mundo inferior de onde será preciso reerguê-la até o alto da montanha e ele vai levá-la para o alto e o fará tantas vezes quantas a sua finitude permita, pois esse é o sentido de sua vida e deve ser o sentido das nossas vidas, afinal a ação Política é o essencial da vida humana e a dignidade da Política, assim como a palavra, ou interação humana, é instrumento de evitar a violência.