Dificuldades não podem atrasar cronograma de Doha, afirma Lamy

Para o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, negociadores devem "recalibrar" expectativas, mas não podem comprometer os prazos da rodada

Na véspera do início da conferência interministerial de Hong Kong, o diretor-geral da Organização Mundial de Comércio, Pascal Lamy, pediu que os países se empenhem para avançar nas negociações para a liberalização do comércio mundial. “Gostaria de lembrar aos negociadores o imperativo de atingirmos um resultado bem-sucedido”, afirmou Lamy, durante discurso aos participantes do evento, nesta segunda-feira (12/12).

É grande a tensão que cerca o encontro desta semana em Hong Kong. De um lado, os países em desenvolvimento, como o Brasil, pressionam as nações mais ricas para que abram seu mercado agrícola e cortem subsídios de exportação. Nos últimos meses, a maior resistência a essas reivindicações se transferiu dos Estados Unidos, que em outubro, propôs um corte de 60% em seus subsídios agrícolas, para a União Européia, que resiste à abertura. De outro, cobra-se das nações em desenvolvimento mais acesso aos seus mercados de manufaturados, serviços e financeiro.

Diante da iminência de um fracasso em Hong Kong, vários países chegaram a afirmar que estavam “recalibrando” suas expectativas quanto às negociações desta semana. Para Lamy, rever os resultados esperados não pode significar atrasos no cronograma da Rodada de Doha. “Eu me apresso a salientar que, por recalibragem, os membros [da OMC] não devem entender nem um rebaixamento do nível de ambição da Rodada de Doha, nem uma licença para ultrapassar a data-limite de 2006 para o término das negociações”, afirmou. “A recalibragem é necessária apenas para ajustar as expectativas ao real estágio das negociações”, disse.

Segundo Lamy, um resultado exitoso nesta semana deixará o mundo mais perto de concluir a Rodada de Doha dentro do prazo previsto. Lamy destacou os avanços contidos na minuta da Declaração de Hong Kong, sobre a qual os representantes dos diversos países basearão seus debates. “Por meio da maior abertura em agricultura, indústria e serviços, os países em desenvolvimento poderão elevar suas oportunidades de exportação, bem como seu nível de vida”.