Ford planeja cortar 6% da mão-de-obra na América do Norte

<I>Pouco depois de a General Motors anunciar 30 000 demissões e fechamento de fábricas, é a Ford que define medidas para escapar do colapso. Vendas caíram 15% em novembro, o pior resultado de todas as montadoras</I>

O plano de reestruturação da Ford ainda não foi oficialmente anunciado, e ainda está sujeito e ajustes, mas é certo que a segunda maior montadora dos Estados Unidos vai seguir a melancólica trilha da General Motors, cortando empregos e fechando instalações. As unidades que despontam na lista de candidatas ao fechamento são linhas de montagem nos estados americanos de Atlanta e Minnesota, uma fábrica de motores em Ontário, no Canadá e uma montadora de caminhões no México.

Juntas, as fábricas na mira dos executivos da Ford empregam 7 500 trabalhadores, cerca de 6% da mão-de-obra total na América do Norte. A expectativa dos mercados é que o plano seja oficialmente anunciado em janeiro.

Segundo reportagem desta sexta-feira (2/12) do diário americano The Wall Street Journal, demissões e desmobilizações de capacidade produtiva são apenas uma parcela de ampla revisão da estratégia e do portfólio conduzida por William Clay Ford Jr., bisneto do fundador da companhia (leia reportagem de EXAME sobre as hesitações de Bill Ford Jr., o “Hamlet de Detroit”).

O que atormenta a Ford é o mesmo que está derrubando a GM: os utilitários esportivos, principal fonte de receita, perderam a preferência do consumidor americano, assustado com as fortes altas nos preços do combustível. Ao mesmo tempo, a concorrência com montadoras estrangeiras se acirrou e tornaram-se praticamente insuportáveis os custos trabalhistas e com assistência médica para os funcionários.

As operações automotivas da Ford em todo o mundo acumulam em nove meses de 2005 um prejuízo de 1,69 bilhão de dólares, informa o Wall Street. Nesta quinta-feira, a companhia anunciou um declínio das vendas de 15% em novembro. Foi o pior resultado de todas as montadoras. As vendas do Ford Explorer, por exemplo, caíram 52% em novembro, comparadas a novembro de 2004, a despeito de uma profunda revisão do design do modelo.