União Européia eleva juros pela primeira vez em cinco anos

Contrariando as recomendações, o Banco Central Europeu elevou a taxa básica de juros da região em 0,25 ponto percentual

O Banco Central Europeu (BCE) colocou seu medo de uma disparada inflacionária acima das críticas de analistas de todo o mundo e elevou a taxa básica de juros da zona do euro em 0,25 ponto percentual. Trata-se do primeiro aumento em cinco anos. Com ele, os juros básicos da região subiram para 2,25% ao ano.

A recuperação econômica dos 12 países da região ainda é embrionária, após vários sinais equivocados, e a inflação dá mostras de que desacelerará. Essa conjuntura estimula as críticas à decisão do BCE por parte de ministros europeus da área econômica, especialistas internacionais e sindicatos. Os críticos defendem que a retomada da economia só será sustentável com juros baixos.

Já o BCE argumenta que manter a inflação controlada é o melhor meio de promover crescimento e criar empregos. De acordo com o americano The Wall Street Journal, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, teme que a instituição perca completamente a credibilidade, depois de estourar a meta de inflação da União Européia seis vezes em sete anos.

O aumento dos preços do petróleo é o principal motivo para que a inflação seja temida em todo o mundo. Os bancos centrais de vários países já começaram a elevar suas taxas, mas os europeus são particularmente avessos aos juros altos. Segundo os opositores dessa política monetária, os sinais de crescimento econômico ainda são incertos, as taxas de expansão do PIB regional são baixas e o desemprego, de 8,4%, é elevado, quando comparado com os 5% dos Estados Unidos.

Os críticos alegam, ainda, que a inflação está desacelerando. Após atingir um pico de 2,6% em setembro (taxa anualizada), o aumento de preços ficou em 2,4% em novembro a segunda queda consecutiva. De qualquer modo, o número ainda está acima da meta de 2% do BCE.