Desastre ecológico interrompe produção da Embraer na China

<I>Mancha de 80 quilômetros de benzeno e nitrobenzeno chegou ontem à periferia de Harbin, sede da joint-venture da brasileira com a estatal chinesa AVIC-2</I>

A Embraer informou em nota oficial que suspendeu provisoriamente as atividades da Harbin Embraer Aircraft Industry (HEAI) na China. O motivo da paralisação é a contaminação por benzeno do rio Songhua, que abastece a cidade de Harbin, sede das operações da fabricante brasileira de aeronaves em território chinês.

A fábrica, inaugurada em 2002, é uma parceria da Embraer com a estatal chinesa AVIC-2. Foi projetada para produzir 20 aeronaves ERJ 145 por ano, capacidade nunca inteiramente ocupada. Em 2004 foram montadas apenas duas unidades.

O comunicado da Embraer afirma que as providências diante do desastre ecológico estão sendo tomadas, mas não detalhou quais são e qual o impacto sobre o resultado financeiro da joint-venture. A nota também afirma que o ambiente da comunidade e da equipe da fábrica é de “absoluta tranqüilidade”.

Harbin possui 9 milhões de habitantes. As últimas notícias são de que o aeroporto local e as estações de trem estão lotadas por moradores preocupados pela suspensão do abastecimento de água, determinada na terça-feira.

O vazamento tóxico foi causado por uma explosão em uma indústria petroquímica na cidade de Jilin, na China. Depois de 11 dias e 370 quilômetros, uma mancha de 80 quilômetros de benzeno e nitrobenzeno em concentrações até 30 vezes maiores do que o admissível chegou ontem à periferia de Harbin. Altas doses de benzeno podem causar câncer.